sábado, dezembro 29, 2007

07. 08...

"Todos nós temos nossas máquinas de tempo. Algumas nos levam de volta e são chamadas de recordações. Algumas nos levam adiante e são chamadas sonhos." (Jeremy Irons)

- 07, tem algo a dizer?
- Não gosto de ter o Renan Calheiros relacionado a mim.
- É a vida, 07.
- Mas tem o "?Porque no te callas?" de vossa Majestade para o Chaves. Tem a Marta, o kaká, a Bebel, o Olavo, a torcida do Flamengo...
- E pessoalmente?
- Tem Itatiaia, Mendanha, Geneciano, São João Del Rey, Chopada, aeroporto, Copacabana, Arpoador...
- E houveram coisas ruins?
- Natural. Foi-se o Paulo Autran, a Nair Belo, o João Hélio, os acidentes aéreos, a CPMF.
- Mas a CPMF?
- Sinto que vai piorar pro 08.
- Porque? Menosum imposto.
- Senhor, com todo o perdão da palavra. Mas um puta imposto vai se tornar vários putinhos de outros impostos.
- Faz sentido. Bom 07, você sente que fez bem o seu trabalho?
- Sim. Fui bom. Sinto que fui diferente. Sinto que fiz valer a pena. Levei aquele sentimento de desamor do início. Fiz novelas. Fiz segredos. Fiz poemas. Fiz até contos. Contei histórias. Fiz vida.
- E agora?
- Agora eu peço para sair. É o jeito.
- Opa. Olha quem tá chegando ali. É o 08.
- Seja bem-vindo 08. Um bom trabalho.
- Não. Um bom divertimento, uma boa vida.
- Que seja. Obrigado 2007. Bom 2008.

terça-feira, dezembro 25, 2007

Noel quem?

Como pode um homem da terceira idade com tão pouco de aposentadoria, provavelmente com saúde frágil, aparentemente porco (só pra constar, não é chegado a um corte de cabelo nem a fazer a barba), rouco e antiquado que vive cercado de anões e tem a péssima mania de invadir as casas durante a noite num estilo Ethan Hunt de Missão Impossível pelas chaminés ainda ter creditado a ele a mais bela fantasia já criada? ah, e voa num trenó puxado por uns bichos estranhos e frequentadores de boates GLBT. Só sendo criança mesmo. Vai ver é por isso que meu presente foi tão significativo para a minha amiga não mais oculta. Uma boneca negra a uma mulher de 40 anos.
Pus sapato na janela. Foi roubado. Papai Noel existe. O que não existe mais é a CPMF.
Feliz Natal.

sábado, dezembro 22, 2007

Nemo

E vem a patroa, a mãe mesmo, queixando.
- Eu queria saber quem tem deixado o portão aberto.
- Não sou eu.
- Nunca é ninguém. Estou de saco cheio com isso, Thiago.

No dia seguinte
- E hoje denovo acordei e o portão estava aberto.
- Mas eu fechei assim que saí pra trabalhar.
- Então alguém abriu.
- O Gustavo sai cedo também pro colégio.
- Eu acordo antes dele e o portão já está aberto.
- Mas...
- Não tem "mas".

No dia seguinte ao dia seguinte
- Thiago. O portão denovo...
- Aberto?
- É.
- Advinhei!
- Sem brincadeiras.
- Então tá. Vamos investigar. Deve estar ruim, sei lá.

E no dia seguinte ao dia seguinte ao dia seguinte lá pelas seis da manhã...
Meus dois cachorros rondavam o quintal. Eis que o crime foi solucionado. O criminoso estava alí. E o mal-caráter nem se pronunciava. Deixava que acusassem os inocentes.

- Viu?
- Vi. Esse cachorro realmente pensa que é gente.
- NEMOOOO! Sai daí. Nada de abrir o portão.
- É mole? Ele vai direto na maçaneta e abre o portão, dá uma saidinha e volta. Nemo e sua caminhada matinal.


Vá com Deus para o céu onde todos os cúmplices descansam.

Nemo (2004-2007)

sexta-feira, dezembro 14, 2007

Facetas de vidro

- Tudo bem. Mas porque está com essa cara de tolo?

- É esse clima de fim de ano, a descrença no papai noel, a rotina de planos não
cumpridos.

- Sem esse de Papai Noel. Fala logo, Túlio.

- É mesmo o clima de fim de ano. Participei de três "amigo-oculto". Nem sei o plural
disso. Mas é que me senti estranho comigo mesmo.

- Estranho como?

- Vou te contar. No primeiro, amigo-oculto do pessoal do curso de inglês foram me
descrever. "Eu tirei uma pessoa que falta muito e mesmo sem vir tira notas boas. É uma
pessoa quieta" e em uma só voz gritaram o meu nome. Acertaram.

- E você falta tanto assim?

- Falto sim. Me vêem como um turista, visitante que não faz parte do grupo por isso.

- Entendi.

- Já no segundo amigo-oculto foi em família. E a minha tia seguiu dizendo que havia
tirado uma pessoa esquelética, sonsa, talentosa com a escrita, preguiçoso com os rumos
da sua vida e extremamente sarcástica. Precisa dizer qual o nome disseram? E precisa
dizer que disseram o nome certo?

- Túlio, convenhamos que você é bem sarcástico sim.

- O que pegou foi o "preguiçoso com os rumos da sua vida".

- Não liga pra isso não.

- E por último foi o amigo-oculto com a minha turma na faculdade.

- E como foi?

- Uma palavra denunciou o amigo-oculto da menina.

- Qual?

- "Eu tirei o menino mais pervertido da sala". "TÚLIO! TÚLIO!"

- E o que tem de mal nisso?

- Reparei que sou tantos Túlios que me sinto até desenganado.

- É normal se comportar de formas diferentes em diferentes ambientes.

- Mas não é normal formas tão diferentes.

- Um quieto e ausente. Outro sarcástico e preguiçoso. O terceiro é pervertido. São
coisas diferentes demais.

- Túlio, você é tudo isso mas não consegue ser tudo junto no mesmo lugar. É completo
apenas pra você que sabe disso tudo e ainda persegue por se descobrir mais. Você não
pode se sentir falso por ser isso ou aquilo. Você é tudo e é tudo de pedaço em pedaço.

- É, esse clima de final de ano.

- É, esse meu amigo pensa é demais.

- Pensar ou viver?

- VIVER! - disseram os dois em voz conjunta.

sexta-feira, dezembro 07, 2007

Com Fiança


A gente sempre acaba confiando.
Enfoco quem confio.
Destemida confiança.
Estou partindo com fiança.
Rasga-me com fio.
Não cai do céu esta herança
Nem a resmungada confiança.

Conquiste.
Entre duas partes
Cílio em riste
Com quites
Arte das artes
Não, não adianta
A gente sempre acaba confiando.

Quer saber?
Está faltando amor.
Mundo de plástico
Mundo fantástico
Mundo sarcástico
Está faltando é amor
Daqueles sublimes
Daqueles...
Quem ou sem tempo
Com ou sem fiança.

domingo, dezembro 02, 2007

O torcedor

O campeonato brasileiro de futebol masculino terminou a poucos minutos. Minutos esses que mais pareciam horas e horas de sensações. Foram minutos que mostraram as faces humanas do futebol. Apareciam sorrisos e lágrimas. A antologia poderia ser composta pelo título do São Paulo, pela reação heróica do Flamengo, pela história de vida do uruguaio Acosta do Náutico. Poderia e é. Mas a principal atuação do campeonato brasileiro de futebol do ano de 2007 transcedeu os campos. A grande sensação do ano foram as torcidas. A do Flamengo pelo apoio incondicional ao time que, por sua vez, correspondeu em campo com superação de limites beirando a arte, a carga emotiva e épica. O corinthians - time do qual não gosto nenhum pouco pela sua soberba e arrogância - foi rebaixado. Minuto sim, minuto não. Gol lá, gol cá. Rebaixamento e permanência. A vitória do Goiás obrigava o time paulista fazer ao menos mais um gol para se sustentar na elite do futebol. Acabou. O rosto do torcedor na tela. O olhar foi baixando. A lágrima descendo. A raiva era questão de tempo. Era comum na fiel torcida. Revolta, porque seria diferente? O torcedor levantou a cabeça e começou a... cantar. Entoou o canto desafinado dos pernas-de-pau dizendo que nunca abandonará seu time. Não me sensibilizou a tristeza. Mesmo porque quando há um vencedor sempre haverá um perdedor. Assim como a torcida do Flamengo fez quando seu time fora eliminado da maior competição sul-americana no primeiro semestre, ao invés de lágrimas, aplausos.
O futebol no Brasil parece ser - de vez em quando - a única instituição que, na prática, faz justiça. E como é delicioso ainda ter essa emoção fazendo valer qualquer suor.

Times
01 São Paulo
02 Santos
03 Flamengo
04 Fluminense
05 Cruzeiro
06 Grêmio
07 Palmeiras
08 Atlético-MG
09 Botafogo
10 Vasco
11 Internacional
12 Atlético-PR
13 Figueirense
14 Sport
15 Náutico
16 Goiás
17 Corinthians
18 Juventude
19 Paraná
20 América-RN

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