sexta-feira, junho 25, 2010

Vício Canalha

Uma mulher.
Uma mulher ciranda.
Umbanda.
Que manda.
Cigana
Uma mulher cheirosa
Colorida
Preta
Pálida
Quente
Sofrida
Uma mulher saliente
Calada
Casada
Adocidaca
Machucada
Carente
Forte
Atriz.
Uma mulher gostosa
Suave
Crente
Faceira
Uma mulher vicia
Qualquer
Feitiça
Atiça
Até noviça.
Uma mulher
Tem poder
Remedia
Ou mata de vez.
É minha droga
Perco a órbita
Mas eu amo todas
Denovo
E outra vez.

quarta-feira, junho 16, 2010

Mal passado

Viver é uma eterna comparação do que se viveu de melhor com o que se vive de pior. Comparamos sempre involuntariamente. Se hoje vamos a uma praia qualquer sentimos saudades da praia mais quente e mais vislumbrante que visitamos. Se comemos de um feijão tropeiro absolutamente normal aparece uma pequena decepção de não estar mais degustando aquele feijão tropeiro e fresco da roça.
Nunca iremos viver o que já vivemos. O intocável permite que alguns momentos sejam eternos. Se é palpável, é humano. Se é humano nem é tão bom. Por isso o Michael Jackson é estrela. Por era intocável. Por isso Paris é uma cidade a ser conhecida, por ser distante. Por isso o invisível amor de ontem é muito mais amor que o amor de hoje. Até que se prove o contrário andar de charrete era mais divertido. Mas vem sempre alguém sorrindo demais mostrando que a felicidade de hoje é a plenitude perfeita de amanhã.
Não existe uma fita a ser rebubinada. Hoje é dvd. Não existe um guaraná mais gostoso. Hoje é refresco de caixinha. Não existe falta de proteção. Hoje é camisinha feminina. Não existe mulher zero kilometro. Hoje é "do passado eu não sei". Não existe um passado melhor. Hoje é viver. Não existe uma verdade maldita. Hoje é você.

quinta-feira, junho 03, 2010

Teoria do Amor Perecível

Fosse uma boa metáfora para te dizer com exatidão o que o tempo faz conosco quando amamos muito e por muito tempo, sei lá, saberia dizer não. Amor, o amor, aquele amor, grande e pomposo, dizem alguns poetas, é eterno. Palavra bonita. Seu sentido mais belo ainda. Quando misturados geram até delicioso êxtase. Amor eterno. Um sonho eterno. Um sonho de amor. Sonho tem durabilidade. E para mim, amor também.
Amor é recurso escasso consumido pelo tempo. O tempo pode ser curto, longo ou satisfatório. Um amor pode durar sessenta e nove anos e assim mesmo ser eterno. Um amor pode durar três, quatro anos e também ser eterno. O amor é um bem durável, perecível. Por certas vezes tem até uma obsolescência programada. O insosso é incolor, o sem-graça é inodoro. Se perde a cor após algum tempo é um amor disfarçado. Comodismo, costume, rotina. Todos se disfarçam de amor. Como todo rompimento é difícil saber quando é mera crise ou quando é ausência de amor. É dificílimo desgarrar das raízes, da até boa normalidade. Amor é emoção, é surpresa, é especial, é o descontrole, é paixão. Amor é risco. Amor é arisco. É teimoso, manhoso. Amor é um chocolate ao leite consumido pelo mais chocólotras dos ventos: o tempo.
Pode ser que a rotina dê certo. Fácil ser terno o caminho liso, sem lombadas e buracos. Haverá possivelmente felicidade. Haverá com certeza, incompleta. Existem os artifícios elásticos. O amor pode ser esticado com a boa vontade, o deleite. Como a ausência dessas atitudes causam o seu desgaste. Amor acaba tão inesperadamente como começa. A aceitação que é das mais difíceis.
Os exageros são do amor. Me perguntam se o amor é divisor. Não. É multiplicador, somador. Fosse amor não haveria de ser comparado com outras tentações e nem seria questionado. Fácil também falar como antropólogo, alheio, bem do alto, de fora de qualquer tendência. Justo. Justo também não entender nada do que disse. Ame, acostume-se, caia em dúvidas e descubra do que falo. É carinho, gratidão, desamor.

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