sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Reza a lenda da satisfação


Reza a lenda que num fim de tarde do mês mais monótono do ano os raios de sol rasgarão as nuvens sem-graças carregando coisas diferentes. Trarão esses temperos de vida até você. Vais ler livros que sempre detestou. Vais ter o prazer de conversar (e gostar) com quem não passava de palavras de saudação. Reencontrará certos sorrisos e dará tchau sem remorsso algum. Vai colorir as fotos ao invés de deixa-las preto e branco. E nesse furo nas nuves sem-graças vais reparar em algo além, uma letra desenhada e fresca. Vai subir no parapeito que encontrar.

E quando sentir uma dor gostosa na batata da perna vai ver que caiu da cama e acordou de um sono. E mais: vai ver que tudo brilhou novamente no sonho e não foi a toa. As perguntas e as respostas estão dentro de nós mesmos. Surpreender-se com mais do mesmo é tão bom quanto carnaval em Salvador.


E isso não é lenda alguma...

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Tudo é proporcional

Tudo é proporcional. Sim, sei que a afirmação é perigosa. Mas qual afirmação não é perigosa?

A bolinha na pele feita pela mordida do mosquito corresponde ao valor do seu sangue, doce ou amargo.

A festa é proporcionalmente boa se há pessoas que fazem de qualquer momento bom.

O tempo que duram os olhos fechados viajando numa música é o que corresponde àquela vez que o beijo foi perfeito.

O grito de gol é tão forte quanto a necessidade de se ganhar.

A sua paciência de ler certos blogs é proporcional ao que você entende por suco de maracujá.

A alegria é proporcional ao que você quer pra frente e não ao que você têm agora.

A influência do passado no presente é proporcional ao grau de satisfação atual. Satisfeito = passado pouco influente. Insatisfeito= passado bastante influente.

A boa gripe difere da má gripe quando a primeira é adquirida num banho de chuvas com amigos e amores e a segunda é adquirida quando se volta de um dia estressante de trabalho debaixo de chuva.

Um "Puta que paril" é proporcional à alegria ou à irritação.

Tudo é proporcional. Basta saber a quê.

Basta também saber que volta, proporcionalmente. Ah, se volta

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Um dia

Um dia a gente muda tudo
O rapaz que era calado resolve falar
E quem fala demais resolve ficar quieto
O rapaz que nunca toma atitude resolve tomar
E o que trazia repúdio e voce dizia "Nunca farei", voce faz.
E o que sempre fazia, nao faz mais.
Um dia voce resolve ser noite"Serei diferente", voce diz
E age igual a todos que tentar ser diferentes.
Um dia voce fala que vai na casa da menina dos seus olhos
No outro o medo nao deixa.Um dia voce torce pro amigo
No outro voce torce pela vida.Um dia torce pelo amor
No outro tá lá, desamando.Num dia voce ri da piada
No outro se arrepende de nao ter gargalhado mais.
E um dia voce descobre
O rapaz que faz isso e depois aquilo
É voce.
Um dia voce diz que errou e nao sabe porque
No outro acerta e sabe porque.
Aí voce descobre:Somos feitos de céu e inferno.

terça-feira, dezembro 05, 2006

Conversa de mesa

(...)

- E então é isso - eu disse completando o raciocínio.

"Por favor, fale algo...
Você aí numa ponta da mesa e eu na outra, mudos. Depois do meu discursso
você nada disse. E eu aqui pensando. Pensamentos que enlouquecem.

Fale mal dos meus olhos silenciosos ou bem da minha preguiça, da minha cara
de retardado, do meu jeito romântico enjoativo, do meu lado piegas, da ironia de
escrever e ser burro. Mas fale. Fale ao menos que me odeia.
Fale do presidente da Venezuela, da mãe da sua vizinha, da gravidez da sua
cadela, dos sonhos fantasiosos de infância, do conservadorismo do novo velho
Papa, mas fale, por favor.
Fale bem do seu ex-namorado, do tempo que não me conhecia, das pessoas que
eu não conheço, e do que não queria ter conhecido em mim, mas fale.
Fale mal do meu cabelo escondido por detrás de um boné maltrapilho, da
falta de tesão que dá ao ver meu corpo, do desagradável sorriso, mas fale.
Fale logo algo, diz-me asneiras e futilidades. Abra logo réplica a qualquer
coisa. Diga logo que desgosta de mim a cada centímetro de palavra ou que me ama.
Mas diga logo que meus pensamentos me consomem. Minha mente atabalhoada não me
permite nada. Estou longe de me dar alta da minha análise.
Diz algo, pois o seu silêncio me deixa surdo."

- Eu te amo - disse ela.

terça-feira, novembro 28, 2006

Externet


Internet é uma coisa linda. Inter, interior, net, rede. Dentro da rede, grande rede. Outro mundo, virtual. Vamos deste para aquele, resolver naquele o que há neste. Pago contas, revejo amigos dos tempos de colégio, conheço novos, novos amores, leio notícias, oportunidades, outra vida. Tudo em um monitor. Tudo simples, fácil e, sobretudo, veloz.
Tenho um amigo importante que me aconselha e me entende. Ele mora em Portugal. Ele sabe da menina que estou apaixonado. Ela é linda, simpática e tem um olhar que seduz. Pelo menos digitando e pelas fotos, é o que parece. Tá certo, não vou a um show ou a um teatro tem tempo, mas como irei ficar longe dos meus amigos? O computador é meu melhor amigo.
Sei a comida preferida da minha amiga virtual mas não sei porque minha mãe só chega em casa dez da noite. Sei pra quem meu amigo escreve poesias mas não sabia que meu irmão parou de treinar handbol por amar a namorada do amigo. Sei que o cachorro do rapaz que esqueci o nick morreu e não sei nem se aqui em casa tem cachorro.
Que maravilha é a Internet! Caí na rede e não sei (nem quero) sair. Estranho é ter amigo virtual e desconhecer as pessoas que moram em minha própria casa.Inventem, por favor, a EXTERNET.

terça-feira, novembro 21, 2006

Desordem

Inteligência limitada ou burrice livre?
Pequenez do quarto gostoso ou amplidão perigosa e desconhecida?
Riqueza infeliz ou pobreza alegre?

Estes contrapontos ou a falsa ilusão de que tudo está em ordem?

segunda-feira, novembro 06, 2006

Homem


Não basta apenas sorrir pra lá e fechar a cara pra cá. Tem que ser sincero. Não só falar palavras bonitas, mas tirá-las de dentro.
Porque ser homem não é ter aquilo grande, mas ter aquilo. Não é ter músculos, mas ser forte. Não é ser bruto, mas saber ser bruto e sensível nas horas certas. Não é ter várias mulheres e histórias pra contar, mas sim, ter feito tudo com amor. Ser homem não é mijar em pé, jogar futebol e dirigir o carro. Mulheres jogam e também dirigem. Ser homem é não ter vergonha de chorar, não ter medo de arriscar e ,sem dúvida, compreender que a mulher é uma com TPM e outra sem.Ser homem não é beber no bar, falar de mulher ou de carros ou futebol. Ser homem é fazer isso tudo e admitir que também gosta de poesia e frequenta teatro e exposições.
Nem sempre o beijo combina de primeira. Mas combina de segunda ou de terceira. É ter paciência.Não é ir ao motel toda semana. É fazer bem feito, e se não o fizer, ser sincero e tentar outra vez.Não se precisa de muito. Ser homem é entortar o pescoço por uma quando solteiro, e entortar todos os dias pela mesma quando enamorado. Ser homem é apenas dar mais importância pra cabeça mais sensata. É abrir o pote de azeitona e não reparar no novo corte de cabelo.Ser homem é ser príncipe e plebeu ao mesmo tempo.É amar perdidamente e se perder se for desamado.É entender que mulheres nunca serão compreendidas.
Ser homem é chegar à lua e disfarçar.Sou homem é ser safado e santo na dose certa. E saber errar pra poder acertar depois. Como vocês, mulheres, pensam, ser homem também não é tão fácil e nem tão difícil como, nós homens, pensamos.

terça-feira, outubro 31, 2006

O meu Terceiro Caderno

Peguei a madrugada fria lendo jornal. E lia com gosto o caderno de desgraças e tragédias, no melhor estilo “Caderno de Política”. E se ria, e chorava, e fazia o verdadeiro espetáculo da falsa vivência, ou seria o incrédulo espetáculo da verdadeira vida? De qualquer forma, era madrugada fria.
Sonolentos os olhos aqueles que como os meus faziam do céu negro um dia qualquer e mais tranqüilo. Mal ou bem, pensava nos rumos e atrasos a que se atende as segundas e terças-feiras. Hoje não escrevi, não estudei, não disse sequer que amo alguém. Mas li um pedacinho de jornal, dividido com a madrugada. Esta por si só caiu no sono das crianças. Ela preferia sonhar com peixes falantes em campos verdes que com a reeleição de Lula e a catástrofe em nome de descobridor, Cabral. Já este aqui não dormiu.
Fui ler. Do jornal ao virtual. De crônicas à literatura de e-mails, flogs e blogs.Eu ria de mim. Do que diziam por eu escrever bem. Oras sou filho do português, da literatura e, sobretudo, da filosofia em forma de poesia. Meus olhos enxergam perfeitamente tais coisas, essas de saber os meandros da linda língua pátria. Mas a falta de critério e teoria é que fazem das minhas críticas duvidosas. Até mesmo eu duvido delas de vez em quando. Essa coisa de dom é muito mal explicada mesmo. Eu vejo e sinto que é ou não é. Não sei explicar, perdoem-me.
Entretanto, é terrível ver que nem a madrugada sabe ler. Você acha que o certo é tranqüilo ou tranquilo? E qual é a incorreta entre as palavras discrição e descrição? Qual a sua língua?A minha tem acentos e recheios. A minha não tem um álibi chamado Internet. E creio que, sem preguiça, a vossa também.E o que é a palavra? As palavras estão perdendo espaço pras sensações. Vale mais um rostinho chamado smile que uma frase de poucas e intensas palavras. Ou seríamos nós mesmo os erros de português?

Boa noite, madrugada.

quarta-feira, outubro 25, 2006

Voto nulo ou consciente?

A um tempo atrás escrevi sobre voto nulo e suponho não ter sido claro. Nem
defendi quanto não queria, nem ataquei o quanto podia. Mas ainda fica uma
intimidação mesclada com preconceito quando se trata de votar nulo.
- Em
quem irá votar? No candidato populista-barato ou no falso paizão dos ricos?
- Voto nulo!

(Momento de revolta generalizada)

Afinal, o voto nulo é atestado de covardia?

Não, justamente por um simples argumento. O voto é um direito cívico valioso no qual se escolhe um candidato a um cargo de importância para a sociedade. E se eu não quiser votar em determinado candidato por este soar falso e sem fundamentos? E
se eu não quiser votar no segundo por não concordar com a maneira absurda de não responder perguntas e de fazer populismos superficiais? E se eu não tiver sequer um candidato? Tenho direito sim de votar nulo. Sei muito bem que o Nulo não sobe a rampa do Planalto mas o direito à uma escolha consciente me permite isto.
Está não é uma campanha para anulação de voto mas sim pela consciência. Não concordo em escolher entre dois candidatos que se sentem numa mesa redonda de acusações e ironias esdrúxulas. Não aceito escolher entre um candidato dos ricos e outro dos pobres. Entre um e outro eu vou votar com uma mão no teclado e a
outra no nariz.

quarta-feira, outubro 18, 2006

O poder de inventar

Um quadro mal acabado só vale quando é póstumo. Isso vale também pros escritores, e pra tantas outras coisas. Porque os valores póstumos se seria mais digno dar valor no momento presente? Picasso que o diga.
Muitos grandes homens morreram sem um grande reconhecimento. Imagine nesse mundão cada pequena estupenda história de vida. Um grande pai de família no interior da Índia, outra grande jovem solitária à beira do Mar Morto, um capial dos pampas, uma senhora viúva em seu casebre no Peru. Levante a noção de espaço, voe com os olhos até os céus e imagine cada canto que se pode chegar, cada história. E cada história no prazer de seu anonimato. Não é aceitável a fabricação de apenas uns contos, modernos, sucessos e cinematográficos insucessos.
Até em relações pessoais os valores são trocados. As mulheres dão valores quando sentem a real perda. Os homens também. Os filhos falam tão pouco que amam as mães, que só decidem dizer quando se dão conta de que a presença materna não é pra sempre. Os mais belos afetos se escondem por detrás das vergonhas e orgulhos. Já tive mais vergonha de dizer que amo. Já tive vergonha de parabenizar alguém por algo. Já tive, sim. Agora, menos.
Se alguém fez o mundo, fez mal acabado. Só para termos o delicioso gosto de enfeitar e aperfeiçoar. Se alguém inventou o amor, deve-se usar.
Se ninguém inventou a felicidade, a gente inventa.

quarta-feira, outubro 11, 2006

Não é?

Outra vez eu abri a geladeira para pensar. É involuntário, mãe. E na filosofia geladinha da mãe geladeira eu tive uma grande idéia. O mundo poderia ser mais amável não é mesmo? Tive a idéia de os mais desavisados tomarem a pílula do dia anterior. Talvez assim as ardências furiculares não permitiriam enfeiar o mundo.

E o avestruz com leite corre, corre.
Porque porco só vira leitão quando morre.

E se por um acaso não ver o vídeo, eu vou te suicidar.

segunda-feira, outubro 09, 2006

As coisas andam doidas

As coisam meio doidas mesmo.
  • Fidel Castro afastado do poder;
  • Schumacher longe do último título da carreira;
  • Avião caindo (um caso em um milhão, diga-se de passagem);
  • Dunga comportado e controlado;
  • Gilberto Gil ministro;
  • Garota de programa autora de best-seller;
  • Collor voltando à cena como "grande homem";
  • Brasil perdendo Copa;
  • O melhor do mundo na reserva;
  • Eleição justa;

Tudo bem, eu exagerei. Mas não acha que tudo anda torto demais não?

E ainda tentam me convencer a não acreditar em viradas!

Tudo é uma deliciosa revanche do dia bom sobre o dia ruim. E assim tudo segue, torto, mas segue.