sábado, março 17, 2007

Dois poemas, céu e inferno.

Provas

As provas provam -
Desculpe a redundância -
Que não provam nada.

É fácil saber que não passei em nada.
Não sei estudar.
Não sei nada além de saber.

Sei o que sei, e pronto.
O que não sei não vou saber assim.
As provam me provam, gosto amargo.

Fiz as provas, comPROVAdamente
Tristes guerras de papéis e letras
Onde o mais esperto seguia.

Não sou esperto.
Provei que sou imPROVÁvel
Para provas.

As provas
Não provam quem é melhor
Provam quem é mais forte.

Eu não passei na prova.

E se me disseres que passei
Preciso de provas
Só acredito,VENDO.

(Poema criado por mim em 07/02/2007)


Provei

Provei dos piores gostos
Do dissecante salgado
Das derrotas

Derrotas após derrotas
Provando que eu não sabia nada
Só dechoros e chacotas.

Fui provado pela nova boca
Cheia de dentes macios
Que morderam leveo ego

Fizeram cócegas
O alívio da matuta nota
Ganha longe daqui

Certa vez disse que provas
Como quase tudo
Prova quem é mais forte

Passei em uma
Euforia nunca antes experimentada
Sensação nunca antes igualada

Não mudei o que penso
Mudei pra outro lado
Não reprovei

Não reprovei por inteligência
Foi por força
Passei sim,

Passei, sim
Na marra.
aPROVAdo.

(Poema criado por mim em 14/03/2007)

Somos feitos de céu e inferno. A sobrevivência a essas oscilações é que distingue os homens do resto.

quinta-feira, março 15, 2007

Onabru-urbanO

A vida é feita de espelhos.
Espelhos que se espalham deixando sensações.
Vai da crueldade da realidade de quem se descobre visto por fora
Ou do prazer de se reconhecer de fora pra dentro.
Um espelho, de mentes diferentes que se completam. Um espelho do outro, independente do que são e pensam.

Acessem http://www.onabru-urbano.blogspot.com

Eu também sou um deles.

quinta-feira, março 08, 2007

Papo de bar num dia oito de março

- O que ela tem de diferente? É melhor? É pior? De verdade, eu não sei. Niguém sabe, nem mesmo ela. Vai ver é magia sobre magia, é provação após provação. É força onde a fragilidade aparentemente reina. O que é? Existe? É essencial?

- Pra mim é. Não vivo sem. É a minha base. Se choro, lá está ela acalmando. Se alegro, lá está ela pra compartilhar. E brigar também. E pra onde vou, está. É esposa, mãe, filha, irmã, tia, avó.

- Mulher é um problema. Olha aquela ali do outro lado da rua, por exemplo. Mini-saia, pernas grossas, carinha de carente e uma fama linda. Engravidou daquele alto que jogava bola conosco, sabe? O Dudu Sabiá. Se separou, pediu pensão. Infernizou a vida do cara. Agora, ele desempregado, vive acabado nesse bar.

- Cara, você generalizou. Essa é uma entre várias. Se fossem esse problema todo os poetas não morreriam por elas, Tom e Vinicius não criariam a Garota de Ipanema, nem Chico as suas beldades. O amor não seria lucro, marketing, ponto fraco, e tudo mais.

- É por isso que está sozinho, acha que mulher é riqueza. Fica endeuzando. Mulher não gosta disso.

- Que nada. Mulher pra mim tem que ser superficial e descartável. Dura uma noite, duas no máximo. E não causa problemas.

- Ahahahahahah! Vocês são engraçados. Mulher é mulher. Gosta das coisas como gostamos. Por exemplo, você gosta de mulher manhosa? E de mulher fria? Gosta das gastadeiras? E das idealistas? Imagine casar com uma exagerada vegetariana? E com a dissimulada? Rapazes, mulher é mulher. Não existe fórmula e se existisse alguém iria achar defeito. Tem que ter quimica.

- Que saber? Vou pra casa. A minha mulher me espera e vou parabenizá-la. Afinal, atura cantada de pedreiro, a dor do parto, depilações e outras formas de embelezamento. Merece não apenas um dia. Mas aproveito esse oito de março.

- Um escritor amigo meu, apreciador da mulher como arte, não exatamente um feminista, me disse o seguinte:

"O homem que não valoriza uma mulher é um homem pela metade. E ser homem pela metade debaixo não quer dizer nada."

- Vou-me embora que esse papo me cansou.

- É verdade, faz sentido. Vou-me embora à procura da minha mulher.

- Tchau

- Tchau

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Eu perdi


Perdi a idéia do que ia escrever. Deve ser a falta de sentidos. Coisa de louco. Coisa do mundo.

É natural, tudo anda se perdendo mesmo. Não é mais o que parece. Os inteligentes não perdem a idéia. Logo não faço parte desse grupo. Nem Cleópatra era bonita. Sabia? Beleza inventada por Shakespeare. E a paz? E as uvas? A primeira é somente uma pomba branca de final de ano em vinhetas da Globo; a segunda se iguala em importância à primeira. Uvas e paz, pombas e frutas... João Hélio e uma criança pedindo dinheiro no trem.

Perdi também a sensibilidade com o barbarismo. Perdi a paciência com o "Paraíso Tropical" (nova novela das oito, não tá sabendo? Não perca!). Perdi o tesão pelo esquerdismo utópico que normalmente os jovens fazem transbordar no estilo "Igualdade, empregos, justiça e etc!".

Fernando Gabeira, sim, aquele maconheiro viado gente fina mais digno que qualquer homem que se intitula homem por aí, disse assim:
"No passado, a esquerda era o bem e a direita, o mal. Mas a esquerda chega ao poder e faz as mesmas coisas. Então, um não é o bem absoluto, nem o outro é o mal absoluto."
É justamente assim. Chico, o Buarque, é excelente compositor. Não necessariamente uma pessoa acima de qualquer suspeita. Nem quem vos escreve, o é.
Todos encenam. Vivemos num grande estúdio de cinema, de TV ou palco de teatro bem exagerado. Antigamente ibope era conquistado com historinhas singelas, marchinhas ingênuas de carnaval, moças que eram mesmo moças, futebol com gols apenas, ordem praticamente em ordem. A necessidade faz o ladrão. A necessidade aumentou a carga de adrenalina e realidade. Fez-se mais uma vítima do Rio de Janeiro.Não suporto filmes mentirosos. Tudo cada vez mais real. O mundo, aquecido. E eu, cada vez mais perdido.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Domingo hilário


Sábado a noite. O nervosismo de pré-vestibular me fez ter idéias de métodos mirabolantes para fazer uma boa prova no domingo de manhã. Não vou contar a ninguém. Assim não há pressão (sim, porque até um "Boa sorte" é uma forma de pressão). E assim o fiz.

Domingo acordei cedo - até demais - bebi água e pronto. Saía calmamente pelo quintal. Cheguei no portão e vi o jornal jogado. Peguei-o e levei até a janela da sala. Lá estava a criatura mais linda e engraçada com a cara amassada e embriagada de sono perguntando onde eu ia àquela hora. Eu disse para minha mãe que estava indo fazer uma das milhões de provas. E só.

Fui. Minha caneta falhou na hora H, implicaram com meu boné, a prova tava complicada, enfim, foi uma prova normal. Pouco importa a prova em si.

Cheguei em casa por volta de meio dia e pouco e logo encontrei meu irmão perguntando onde eu tava que demorei esse tempo todo.


- Ué, fazendo prova.

- Prova? E você avisou?

- Quando saí de casa falei pra minha mãe. Ela tava toda torta de sono.

Os dois se entreolharam e ao mesmo tempo:
Ahhh tá explicado.
Assim que entrei na cozinha ela berrando que eu não tinha ido comprar pão, que era muito estranho, que demorei demais e que eu nunca mais faria isso. E falou, falou, falou...


- Poxa, você foi comprar pão. Fiz o café, sentei na mesa e fiquei esperando. ATÉ AGORA, THIAGO!

- É mãe, voce já é meio surda e com sono então. Eu fui fazer prova do vestibular e te falei na hora que saí.- Ih, entendi errado.

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Reza a lenda da satisfação


Reza a lenda que num fim de tarde do mês mais monótono do ano os raios de sol rasgarão as nuvens sem-graças carregando coisas diferentes. Trarão esses temperos de vida até você. Vais ler livros que sempre detestou. Vais ter o prazer de conversar (e gostar) com quem não passava de palavras de saudação. Reencontrará certos sorrisos e dará tchau sem remorsso algum. Vai colorir as fotos ao invés de deixa-las preto e branco. E nesse furo nas nuves sem-graças vais reparar em algo além, uma letra desenhada e fresca. Vai subir no parapeito que encontrar.

E quando sentir uma dor gostosa na batata da perna vai ver que caiu da cama e acordou de um sono. E mais: vai ver que tudo brilhou novamente no sonho e não foi a toa. As perguntas e as respostas estão dentro de nós mesmos. Surpreender-se com mais do mesmo é tão bom quanto carnaval em Salvador.


E isso não é lenda alguma...

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Tudo é proporcional

Tudo é proporcional. Sim, sei que a afirmação é perigosa. Mas qual afirmação não é perigosa?

A bolinha na pele feita pela mordida do mosquito corresponde ao valor do seu sangue, doce ou amargo.

A festa é proporcionalmente boa se há pessoas que fazem de qualquer momento bom.

O tempo que duram os olhos fechados viajando numa música é o que corresponde àquela vez que o beijo foi perfeito.

O grito de gol é tão forte quanto a necessidade de se ganhar.

A sua paciência de ler certos blogs é proporcional ao que você entende por suco de maracujá.

A alegria é proporcional ao que você quer pra frente e não ao que você têm agora.

A influência do passado no presente é proporcional ao grau de satisfação atual. Satisfeito = passado pouco influente. Insatisfeito= passado bastante influente.

A boa gripe difere da má gripe quando a primeira é adquirida num banho de chuvas com amigos e amores e a segunda é adquirida quando se volta de um dia estressante de trabalho debaixo de chuva.

Um "Puta que paril" é proporcional à alegria ou à irritação.

Tudo é proporcional. Basta saber a quê.

Basta também saber que volta, proporcionalmente. Ah, se volta

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Um dia

Um dia a gente muda tudo
O rapaz que era calado resolve falar
E quem fala demais resolve ficar quieto
O rapaz que nunca toma atitude resolve tomar
E o que trazia repúdio e voce dizia "Nunca farei", voce faz.
E o que sempre fazia, nao faz mais.
Um dia voce resolve ser noite"Serei diferente", voce diz
E age igual a todos que tentar ser diferentes.
Um dia voce fala que vai na casa da menina dos seus olhos
No outro o medo nao deixa.Um dia voce torce pro amigo
No outro voce torce pela vida.Um dia torce pelo amor
No outro tá lá, desamando.Num dia voce ri da piada
No outro se arrepende de nao ter gargalhado mais.
E um dia voce descobre
O rapaz que faz isso e depois aquilo
É voce.
Um dia voce diz que errou e nao sabe porque
No outro acerta e sabe porque.
Aí voce descobre:Somos feitos de céu e inferno.

terça-feira, dezembro 05, 2006

Conversa de mesa

(...)

- E então é isso - eu disse completando o raciocínio.

"Por favor, fale algo...
Você aí numa ponta da mesa e eu na outra, mudos. Depois do meu discursso
você nada disse. E eu aqui pensando. Pensamentos que enlouquecem.

Fale mal dos meus olhos silenciosos ou bem da minha preguiça, da minha cara
de retardado, do meu jeito romântico enjoativo, do meu lado piegas, da ironia de
escrever e ser burro. Mas fale. Fale ao menos que me odeia.
Fale do presidente da Venezuela, da mãe da sua vizinha, da gravidez da sua
cadela, dos sonhos fantasiosos de infância, do conservadorismo do novo velho
Papa, mas fale, por favor.
Fale bem do seu ex-namorado, do tempo que não me conhecia, das pessoas que
eu não conheço, e do que não queria ter conhecido em mim, mas fale.
Fale mal do meu cabelo escondido por detrás de um boné maltrapilho, da
falta de tesão que dá ao ver meu corpo, do desagradável sorriso, mas fale.
Fale logo algo, diz-me asneiras e futilidades. Abra logo réplica a qualquer
coisa. Diga logo que desgosta de mim a cada centímetro de palavra ou que me ama.
Mas diga logo que meus pensamentos me consomem. Minha mente atabalhoada não me
permite nada. Estou longe de me dar alta da minha análise.
Diz algo, pois o seu silêncio me deixa surdo."

- Eu te amo - disse ela.

terça-feira, novembro 28, 2006

Externet


Internet é uma coisa linda. Inter, interior, net, rede. Dentro da rede, grande rede. Outro mundo, virtual. Vamos deste para aquele, resolver naquele o que há neste. Pago contas, revejo amigos dos tempos de colégio, conheço novos, novos amores, leio notícias, oportunidades, outra vida. Tudo em um monitor. Tudo simples, fácil e, sobretudo, veloz.
Tenho um amigo importante que me aconselha e me entende. Ele mora em Portugal. Ele sabe da menina que estou apaixonado. Ela é linda, simpática e tem um olhar que seduz. Pelo menos digitando e pelas fotos, é o que parece. Tá certo, não vou a um show ou a um teatro tem tempo, mas como irei ficar longe dos meus amigos? O computador é meu melhor amigo.
Sei a comida preferida da minha amiga virtual mas não sei porque minha mãe só chega em casa dez da noite. Sei pra quem meu amigo escreve poesias mas não sabia que meu irmão parou de treinar handbol por amar a namorada do amigo. Sei que o cachorro do rapaz que esqueci o nick morreu e não sei nem se aqui em casa tem cachorro.
Que maravilha é a Internet! Caí na rede e não sei (nem quero) sair. Estranho é ter amigo virtual e desconhecer as pessoas que moram em minha própria casa.Inventem, por favor, a EXTERNET.

terça-feira, novembro 21, 2006

Desordem

Inteligência limitada ou burrice livre?
Pequenez do quarto gostoso ou amplidão perigosa e desconhecida?
Riqueza infeliz ou pobreza alegre?

Estes contrapontos ou a falsa ilusão de que tudo está em ordem?

segunda-feira, novembro 06, 2006

Homem


Não basta apenas sorrir pra lá e fechar a cara pra cá. Tem que ser sincero. Não só falar palavras bonitas, mas tirá-las de dentro.
Porque ser homem não é ter aquilo grande, mas ter aquilo. Não é ter músculos, mas ser forte. Não é ser bruto, mas saber ser bruto e sensível nas horas certas. Não é ter várias mulheres e histórias pra contar, mas sim, ter feito tudo com amor. Ser homem não é mijar em pé, jogar futebol e dirigir o carro. Mulheres jogam e também dirigem. Ser homem é não ter vergonha de chorar, não ter medo de arriscar e ,sem dúvida, compreender que a mulher é uma com TPM e outra sem.Ser homem não é beber no bar, falar de mulher ou de carros ou futebol. Ser homem é fazer isso tudo e admitir que também gosta de poesia e frequenta teatro e exposições.
Nem sempre o beijo combina de primeira. Mas combina de segunda ou de terceira. É ter paciência.Não é ir ao motel toda semana. É fazer bem feito, e se não o fizer, ser sincero e tentar outra vez.Não se precisa de muito. Ser homem é entortar o pescoço por uma quando solteiro, e entortar todos os dias pela mesma quando enamorado. Ser homem é apenas dar mais importância pra cabeça mais sensata. É abrir o pote de azeitona e não reparar no novo corte de cabelo.Ser homem é ser príncipe e plebeu ao mesmo tempo.É amar perdidamente e se perder se for desamado.É entender que mulheres nunca serão compreendidas.
Ser homem é chegar à lua e disfarçar.Sou homem é ser safado e santo na dose certa. E saber errar pra poder acertar depois. Como vocês, mulheres, pensam, ser homem também não é tão fácil e nem tão difícil como, nós homens, pensamos.