sexta-feira, janeiro 04, 2008

Profissão Jaime

- Tia Crisimara, de repente seremos assaltados bem aqui neste ponto de ônibus.
- De repente eu bato na sua boca pra parar de falar besteira. Detesto a sua mania de advinhar tragédias. Só de falar, atrai. Sabia? Criança tem que falar de coisas de criança.
- Desculpa Tia.
- Olá, com licença. Tudo bem?
- Oi moço, tudo sim.
- Desculpe o incômodo mas eu estou querendo assaltar vocês.
- Nos assaltar?
- É. Penso que gritos e intimidação não são necessários.
- Faz sentido. E o que quer assaltar? Tenho nada.
- Se não tem nada. Tudo bem. Mas a senhora poderia levar em conta a minha educação.
- Tudo bem. Tudo bem. Tenho cinco reais, um celular, uma câmera fotográfica e esta minha carteira aqui. A criança só tem o boneco do Buz Lighthear.
- Então me passa tudo.
- Tudo bem. Aliás, posso ficar com os documentos?
- Ah, pode sim. Não usarei mesmo. Chega de cartão de crédito. Mais, não.
- Você é muito gentil. Não querendo abusar muito mas posso ficar com os cinco reais? É o dinheiro do ônibus.
- Fique.
- Obrigado. Escute. Me sinto até um pouco honrada em ser assaltada pelo senhor...
- Jaime, ao seu dispor.
- Sim, Jaime. Crisimara, muito prazer.
- Então. A Senhora tem pilha na câmera?
- Tenho sim.
- Desculpe a ousadia, mas podemos tirar uma foto?
- Sim, claro. Juninho tire a nossa foto. Anda.
- ...
- Nossa como você é fotogênica.
- Que isso, você que é. Até que pra um assaltante você não é tão mal. Até leva jeito.
- Obrigado. Estudei muito pra isso.
- Então. Então. Acabou o assalto?
- Pois é. Coisas boas duram pouco. Pode me dar seu telefone ou MSN?
- Estranho isso.
- O quê? Acha-me estranho?
- Não. Você é agradável. Sua profissão que não combina com a sua doçura.
- Eu penso em mudar de vida. Só não sei ainda as opções.
- Você é educado, tem poder de persuasão e sabe ganhar dinheiro fácil usurpando dos outros. Que tal uma profissão condizente?
- Obrigado pelos elogios. E ainda me chamou de fotogênico, agradável e doce. Não sei se estou ultrapassando as barreiras, mas gostaria de sair comigo?
- Deus do céu, o que estou fazendo?
- Se não quiser...
- Sim. Aceito.
- Então. Vamos. Mas qual era a profissão que ia falar mesmo?
- Político.
- Boa idéia.

sábado, dezembro 29, 2007

07. 08...

"Todos nós temos nossas máquinas de tempo. Algumas nos levam de volta e são chamadas de recordações. Algumas nos levam adiante e são chamadas sonhos." (Jeremy Irons)

- 07, tem algo a dizer?
- Não gosto de ter o Renan Calheiros relacionado a mim.
- É a vida, 07.
- Mas tem o "?Porque no te callas?" de vossa Majestade para o Chaves. Tem a Marta, o kaká, a Bebel, o Olavo, a torcida do Flamengo...
- E pessoalmente?
- Tem Itatiaia, Mendanha, Geneciano, São João Del Rey, Chopada, aeroporto, Copacabana, Arpoador...
- E houveram coisas ruins?
- Natural. Foi-se o Paulo Autran, a Nair Belo, o João Hélio, os acidentes aéreos, a CPMF.
- Mas a CPMF?
- Sinto que vai piorar pro 08.
- Porque? Menosum imposto.
- Senhor, com todo o perdão da palavra. Mas um puta imposto vai se tornar vários putinhos de outros impostos.
- Faz sentido. Bom 07, você sente que fez bem o seu trabalho?
- Sim. Fui bom. Sinto que fui diferente. Sinto que fiz valer a pena. Levei aquele sentimento de desamor do início. Fiz novelas. Fiz segredos. Fiz poemas. Fiz até contos. Contei histórias. Fiz vida.
- E agora?
- Agora eu peço para sair. É o jeito.
- Opa. Olha quem tá chegando ali. É o 08.
- Seja bem-vindo 08. Um bom trabalho.
- Não. Um bom divertimento, uma boa vida.
- Que seja. Obrigado 2007. Bom 2008.

terça-feira, dezembro 25, 2007

Noel quem?

Como pode um homem da terceira idade com tão pouco de aposentadoria, provavelmente com saúde frágil, aparentemente porco (só pra constar, não é chegado a um corte de cabelo nem a fazer a barba), rouco e antiquado que vive cercado de anões e tem a péssima mania de invadir as casas durante a noite num estilo Ethan Hunt de Missão Impossível pelas chaminés ainda ter creditado a ele a mais bela fantasia já criada? ah, e voa num trenó puxado por uns bichos estranhos e frequentadores de boates GLBT. Só sendo criança mesmo. Vai ver é por isso que meu presente foi tão significativo para a minha amiga não mais oculta. Uma boneca negra a uma mulher de 40 anos.
Pus sapato na janela. Foi roubado. Papai Noel existe. O que não existe mais é a CPMF.
Feliz Natal.

sábado, dezembro 22, 2007

Nemo

E vem a patroa, a mãe mesmo, queixando.
- Eu queria saber quem tem deixado o portão aberto.
- Não sou eu.
- Nunca é ninguém. Estou de saco cheio com isso, Thiago.

No dia seguinte
- E hoje denovo acordei e o portão estava aberto.
- Mas eu fechei assim que saí pra trabalhar.
- Então alguém abriu.
- O Gustavo sai cedo também pro colégio.
- Eu acordo antes dele e o portão já está aberto.
- Mas...
- Não tem "mas".

No dia seguinte ao dia seguinte
- Thiago. O portão denovo...
- Aberto?
- É.
- Advinhei!
- Sem brincadeiras.
- Então tá. Vamos investigar. Deve estar ruim, sei lá.

E no dia seguinte ao dia seguinte ao dia seguinte lá pelas seis da manhã...
Meus dois cachorros rondavam o quintal. Eis que o crime foi solucionado. O criminoso estava alí. E o mal-caráter nem se pronunciava. Deixava que acusassem os inocentes.

- Viu?
- Vi. Esse cachorro realmente pensa que é gente.
- NEMOOOO! Sai daí. Nada de abrir o portão.
- É mole? Ele vai direto na maçaneta e abre o portão, dá uma saidinha e volta. Nemo e sua caminhada matinal.


Vá com Deus para o céu onde todos os cúmplices descansam.

Nemo (2004-2007)

sexta-feira, dezembro 14, 2007

Facetas de vidro

- Tudo bem. Mas porque está com essa cara de tolo?

- É esse clima de fim de ano, a descrença no papai noel, a rotina de planos não
cumpridos.

- Sem esse de Papai Noel. Fala logo, Túlio.

- É mesmo o clima de fim de ano. Participei de três "amigo-oculto". Nem sei o plural
disso. Mas é que me senti estranho comigo mesmo.

- Estranho como?

- Vou te contar. No primeiro, amigo-oculto do pessoal do curso de inglês foram me
descrever. "Eu tirei uma pessoa que falta muito e mesmo sem vir tira notas boas. É uma
pessoa quieta" e em uma só voz gritaram o meu nome. Acertaram.

- E você falta tanto assim?

- Falto sim. Me vêem como um turista, visitante que não faz parte do grupo por isso.

- Entendi.

- Já no segundo amigo-oculto foi em família. E a minha tia seguiu dizendo que havia
tirado uma pessoa esquelética, sonsa, talentosa com a escrita, preguiçoso com os rumos
da sua vida e extremamente sarcástica. Precisa dizer qual o nome disseram? E precisa
dizer que disseram o nome certo?

- Túlio, convenhamos que você é bem sarcástico sim.

- O que pegou foi o "preguiçoso com os rumos da sua vida".

- Não liga pra isso não.

- E por último foi o amigo-oculto com a minha turma na faculdade.

- E como foi?

- Uma palavra denunciou o amigo-oculto da menina.

- Qual?

- "Eu tirei o menino mais pervertido da sala". "TÚLIO! TÚLIO!"

- E o que tem de mal nisso?

- Reparei que sou tantos Túlios que me sinto até desenganado.

- É normal se comportar de formas diferentes em diferentes ambientes.

- Mas não é normal formas tão diferentes.

- Um quieto e ausente. Outro sarcástico e preguiçoso. O terceiro é pervertido. São
coisas diferentes demais.

- Túlio, você é tudo isso mas não consegue ser tudo junto no mesmo lugar. É completo
apenas pra você que sabe disso tudo e ainda persegue por se descobrir mais. Você não
pode se sentir falso por ser isso ou aquilo. Você é tudo e é tudo de pedaço em pedaço.

- É, esse clima de final de ano.

- É, esse meu amigo pensa é demais.

- Pensar ou viver?

- VIVER! - disseram os dois em voz conjunta.

sexta-feira, dezembro 07, 2007

Com Fiança


A gente sempre acaba confiando.
Enfoco quem confio.
Destemida confiança.
Estou partindo com fiança.
Rasga-me com fio.
Não cai do céu esta herança
Nem a resmungada confiança.

Conquiste.
Entre duas partes
Cílio em riste
Com quites
Arte das artes
Não, não adianta
A gente sempre acaba confiando.

Quer saber?
Está faltando amor.
Mundo de plástico
Mundo fantástico
Mundo sarcástico
Está faltando é amor
Daqueles sublimes
Daqueles...
Quem ou sem tempo
Com ou sem fiança.

domingo, dezembro 02, 2007

O torcedor

O campeonato brasileiro de futebol masculino terminou a poucos minutos. Minutos esses que mais pareciam horas e horas de sensações. Foram minutos que mostraram as faces humanas do futebol. Apareciam sorrisos e lágrimas. A antologia poderia ser composta pelo título do São Paulo, pela reação heróica do Flamengo, pela história de vida do uruguaio Acosta do Náutico. Poderia e é. Mas a principal atuação do campeonato brasileiro de futebol do ano de 2007 transcedeu os campos. A grande sensação do ano foram as torcidas. A do Flamengo pelo apoio incondicional ao time que, por sua vez, correspondeu em campo com superação de limites beirando a arte, a carga emotiva e épica. O corinthians - time do qual não gosto nenhum pouco pela sua soberba e arrogância - foi rebaixado. Minuto sim, minuto não. Gol lá, gol cá. Rebaixamento e permanência. A vitória do Goiás obrigava o time paulista fazer ao menos mais um gol para se sustentar na elite do futebol. Acabou. O rosto do torcedor na tela. O olhar foi baixando. A lágrima descendo. A raiva era questão de tempo. Era comum na fiel torcida. Revolta, porque seria diferente? O torcedor levantou a cabeça e começou a... cantar. Entoou o canto desafinado dos pernas-de-pau dizendo que nunca abandonará seu time. Não me sensibilizou a tristeza. Mesmo porque quando há um vencedor sempre haverá um perdedor. Assim como a torcida do Flamengo fez quando seu time fora eliminado da maior competição sul-americana no primeiro semestre, ao invés de lágrimas, aplausos.
O futebol no Brasil parece ser - de vez em quando - a única instituição que, na prática, faz justiça. E como é delicioso ainda ter essa emoção fazendo valer qualquer suor.

Times
01 São Paulo
02 Santos
03 Flamengo
04 Fluminense
05 Cruzeiro
06 Grêmio
07 Palmeiras
08 Atlético-MG
09 Botafogo
10 Vasco
11 Internacional
12 Atlético-PR
13 Figueirense
14 Sport
15 Náutico
16 Goiás
17 Corinthians
18 Juventude
19 Paraná
20 América-RN

[] Libertadores da América [] Sul-americana []Rebaixados para Série B

sexta-feira, novembro 30, 2007

Parada do Caminhoneiro Gostosão

- Sabe, menina, não quero passar na frente dessa obra.
- Ah, deixa de frescura.
- Não é frescura.
- è frescura sim. E vamos andando.
- Então tá. Daqui a cinco minutos você me diz.
O prédio em construção. O pesadelo de uma era o sonho da outra. Esticando a calçada e as pernas o primeiro bigode soltou:
- Você tá igual melancia na roça.
- Eu? Porque?
- Tá rachando de boa.
Continuaram caminhando.
- Pedreiro é uma raça nojenta. Eu não te falei?
- Eu acho graça.
E outro homem mais a frente soltou a nova:
- Garota abelha?
Ela riu. O barrigudo continuou.
- O homem-mel chegou.
A primeira quis bater no barriga. A segunda. Bom, a segunda riu denovo.
- Acho até engraçado. E se falam essas coisas é porque somos lindas e gostosas.
- Você tem uma teoria muito discutível.
- Se falam é porque somos.
- Pedreiro chama até Dercy de gostosa.
Continuaram a caminhada. Na frente do bar:
- Ei, princesa.
Ela virou-se como num susto.
- Você é o toicinho da minha feijoada.
- Nossa!
- Nossa? Nossa digo eu. Você é tão linda que não caga. Lança bombom.
O nome do bar? "Parada do caminhoneiro gostosão".

terça-feira, novembro 27, 2007

Doce de leite e bolinhos de chuva

É quando a gente fala bem baixinho.
- Eu te amo.
- O que foi que disse?
- Disse que o dia está preguiçoso.
- Está mesmo. Mas vamos animar.
É quando a gente fala bem baixinho.
- Você está a mais linda mulher.
- Oi? Não ouvi.
- Eu? Tava cantarolando só.
- Que música?
- "Ainda lembro", Marisa Monte.
- "Onde você for eu vou. O grande mal que fiz foi a mim mesmo", linda música.
- Pois é.
E a gente acovarda o sentimento, fala bem baixinho.
- Se ao menos...a amo tanto.
- Você ama quem?
- Eu. Eu amo.
- Ama quem?
- Amo goiabada.
- Prefiro bolinho de chuva.
Eu não falo mais baixinho. Nem falo. Ela casou-se. Restaram os bolinhos de chuva. São mesmo melhores que doce de leite.



BOLINHO DE CHUVA


INGREDIENTES:
1 xícara de farinha de trigo
1 xícara de amido de milho
1/2 xícara de leite
2 ovos
4 colheres de açúcar
1 colher de sopa de fermento em pó


MODO DE PREPARO:
  1. bata o açúcar com os ovos e junte os demais ingredientes, em uma panela esquente o óleo e frite as colheradas em fogo baixo.

  2. depois de frito passe os bolinhos em açúcar com canela.

segunda-feira, novembro 26, 2007

Prêmio

Olha que coisa. A Mel (http://blogcasuale.blogspot.com/) teve a coragem de dizer que sou escritor. E, além disso, de premiar com o Escritores da Liberdade. De verdade essa coisa de "escritor" e "liberdade" são coisas muito relativas. Como ela, eu também não em considero escritor. Que seja. Liberdade então, nesse caso, é escrever por vontade, oportunidade, com asas e palavras soltas. Deixa voar o sorriso pela singela lembrança. Obrigado Mel.


Vou repassar a quem convém. Os considero, sim, escritores da liberdade.


Letícia (Cuidado ao entrar), Erika Murari (Onconto), Paulo Fernando (A verdade nua), Ly (Divino Senão Fosse Humano) e Robertinha (Em Alguns Instantes).

Desfrutem.

quinta-feira, novembro 22, 2007

Pré-conceitual

- Me chama de negro.
- Eu não.
- ANDA, ME CHAMA DE NEGÃO.
- Claro que não.
- Porque não? Eu sou negro.
- Primeiro, porque não me convém chamar-lhe de negro. Segundo, porque você tem nome. Terceiro, que essa coisa de "negão" é só pra suas "nêgas".
- "Nêgas"? Vou te processar.
- Ora.
- Você falou com conotação preconceituosa.
- Então desculpa.
- Tudo bem. Mas porque você tem esse preconceito? Já ficou com uma negra?
- Eu não tenho preconceito.
- Já esteve com uma?
- Não.- Seu preconceituoso!
- Só porque nunca estive com uma negra? Vai ver eu nunca tive oportunidade. Já pensou nessa hipótese?
- Não tem desculpa.
- Tudo bem. O que quer afinal?
- Que confesse seu preconceito.
- Mas eu não tenho.
- Você está incomodado comigo só porque sou negro. Nunca quis estar com uma negra e tem nojo de se referir a mim como negro.- Ah, por favor.
- Viu? Confessou.
- Eu não vou confessar o que não sou.
- Sabia que preconceito dá cadeia?
- Sabia sim. E o que é preconceito para o senhor?
- Você me tratar de forma diferente só porque sou negro.
- O senhor conhece o Lázaro Ramos? Viu Ó pai, ó?
- Conheço. Vi sim. E o que que tem?

- Numa cena o personagem do Wagner Moura chama o personagem do Lázaro de negro por causa de uma dívida no que este responde numa das mais belas retóricas sobre a questão da raça: - Porque me chama de negro? Não comemos da mesma comida? Não sofremos das mesmas doenças? Não tomamos os mesmos remédios? Não sangramos da mesma cor? Não somos gente? E você vem me chamar de negro?

- Eu lembro dessa cena.
- E você aqui querendo que o chame de negro, querendo reverter o quadro que transparece que o preconceituoso aqui é você mesmo.
- O quê?
- Exatamente. O preconceito começa contigo.
- Só quero respeito.
- Desisto.
- Me chama de negro.
- Preto.
- Ahhhhh seu f...
- Calma. estava brincando. Mas porque até tu diz que quanto tudo está mal que a "coisa está preta"? Porque tem superstição com gato preto? E galinha preta?
- Meu amigo, a coisa tá afro então.
- Um chocolate quente então?
- Melhor, café com leite.
- Aceito.

terça-feira, novembro 20, 2007

Carioquice




O inexplicável rubro-negro parece uma mística odisséia futebolística de novos tempos ou de tempos em que não há razão para esses cariocas carentes se apegarem com tanto afinco. É a ultra-euforia de um time que ganha mais atravéz de vozes e aplausos do que através de chutes e galopes. Fui comprar o uniforme do soldado em preto e vermelho. Esgotado. "Volte semana que vem, de repente já teremos". O vendedor deu um sorriso matuto. Com certeza flamenguista, supus na contradição convicta. A vergonha de chutar torto, de ovacionar o ébano Obina transpôs as arquibancadas de cada mesa de boteco. Resolvo vestir o manto comprado com custo a duas semanas atrás. O caminhoneiro grita "aee flamenguista, tá com tudo heim?". Pois é. E o outro me gritou "Se tivessem usado essa camisa ontem...". O "ontem" dele refere-se ao pseudo jogo de futebol da seleção brasileira contra a seleção peruana em Lima, Peru. Deu tanta raiva, mas tanta raiva, que no trailer do bigode eu gritei "Peru neles!". Enfim, poucos amigos...
É algo inexplicável essa carioquice sem vergonha que vem fazendo festa no Maracança, que vem ensinando o que é paixão, que não tem ligado para a reafirmação da fama de que carioca é relaxado e só quer saber de praia. "Carioca é tudo folgado", me disse a mineira. E eu não discordo. Sou rubro-negro e muito folgado mesmo. Te mete com esse mar, esse verde com sotaque de beleza, esse sol amarelinho, esse céu de cetim...