- Desejo ter desejos reais.
- O desejo de ter desejo já é um desejo. E os “não reais” também.
- Mas os meus desejos são quase sonhos.
- Porque não se pode sonhar?
- Meus sonhos são apenas palavras.
- Então são fáceis. Diga-me.
- Sonho ter um texto bonito em minha lápide. E estaria assim:
“Este homem lançou seu próprio livro, um romance inesquecível. Casou-se na praia com a mulher de sua vida. Viajou pelos mares do mundo com as pessoas que sempre amou. Aventurou-se. Aprendeu. Errou muito. Acertou bastante. Ganhou dinheiro com o que tinha prazer em fazer. Fez muita coisa que ajudou a humanidade. Fez algo que o tornou célebre. Será lembrado por futuras gerações. Este homem dono de um largo sorriso achou o seu lugar no mundo. Buscou e foi feliz”.
- Então seriam estas as palavras que gostaria de ter na minha lápide.
- Meu caro. Não importam as palavras. Quem grafa-las poderá mentir.
- Haveria honestidade.
- Aí é que está. Seus desejos são belos como seria a sua lápide.
- São irreais.
- São plausíveis. E são difíceis na medida em que deseja. Deseja tanto assim? O que está fazendo para que se realizem? Sonhar não custa nada. A não ser que você espera que se faça mágica.
- Tenho uma vida inteira para escrever minha lápide.
- Pense que tem um dia.
- Dois então?
- Dois.
- É que hoje é domingo, ta frio, chove...
- Sem preguiça a partir desta segunda-feira para desejar, realizar e ser feliz.
- Combinado.