sexta-feira, junho 13, 2008

Linha de raciocínio

Nas batidas das mais diversas baterias - Eu nao poderia crêr que batidas existam - haviam muito menos pêlos nas semelhanças tão diferentes - Eu nao poderia crer que diferenças tão semelhantes existam.
Notei. Notaste como tudo está igual? Portanto, nao subestime o que é mais magro, mais fraco, mais sensivel. Nao subestime a mim, cara pálida.

Deixa. O rock preferido está tocando ali no rádio e quero é bailar ao som da melodia.

Bailar? Que troço mais antigo!

Mas deve ser mais ou menos por aí o raciocínio.

segunda-feira, junho 09, 2008

Um "Feliz Aniversário" original

Antes, um menino assexuado. Hoje, superdotado fisica e intelectualmente. Pode ser que eu esteja mentindo um pouco. Quem sabe? Além das transformações, Thiago desenvolveu um dom maravilhoso, que foge da sanidade e fode com a cabeça da gente: ele escreve. Mas não escreve qualquer coisa, como qualquer um e em qualquer lugar no mundo. Ele é único, "uno", espécie rara. Foi um cuspe doce de Deus num mundo que não salivava há tempos; apagou as chamas do inferno com a sua hidro-imaginação que escorreu feito enchente para a terra do Diabo. Thiago se libertou das amarras no dia 8 de junho e, por isso, o parabenizo. Felicidades, meu querido. Muitos anos de vida!

Ps: eu não sou gay, tampouco ateu. rs

Por Paulo Fernando

domingo, junho 01, 2008

Na lápide desde agora

- Desejo ter desejos reais.
- O desejo de ter desejo já é um desejo. E os “não reais” também.
- Mas os meus desejos são quase sonhos.
- Porque não se pode sonhar?
- Meus sonhos são apenas palavras.
- Então são fáceis. Diga-me.
- Sonho ter um texto bonito em minha lápide. E estaria assim:

“Este homem lançou seu próprio livro, um romance inesquecível. Casou-se na praia com a mulher de sua vida. Viajou pelos mares do mundo com as pessoas que sempre amou. Aventurou-se. Aprendeu. Errou muito. Acertou bastante. Ganhou dinheiro com o que tinha prazer em fazer. Fez muita coisa que ajudou a humanidade. Fez algo que o tornou célebre. Será lembrado por futuras gerações. Este homem dono de um largo sorriso achou o seu lugar no mundo. Buscou e foi feliz”.

- Então seriam estas as palavras que gostaria de ter na minha lápide.
- Meu caro. Não importam as palavras. Quem grafa-las poderá mentir.
- Haveria honestidade.
- Aí é que está. Seus desejos são belos como seria a sua lápide.
- São irreais.
- São plausíveis. E são difíceis na medida em que deseja. Deseja tanto assim? O que está fazendo para que se realizem? Sonhar não custa nada. A não ser que você espera que se faça mágica.
- Tenho uma vida inteira para escrever minha lápide.
- Pense que tem um dia.
- Dois então?
- Dois.
- É que hoje é domingo, ta frio, chove...
- Sem preguiça a partir desta segunda-feira para desejar, realizar e ser feliz.
- Combinado.

quinta-feira, maio 29, 2008

Querem ver

Subentende-se um valor a mais no olhar.
E por ele que procuro
Procuro e nada a ele em especial, vem.
Para os ouvidos, música.
Para o nariz, cheiros que mais vêm da mente que do ambiente.
Mas pros olhos, carma, acizentadas paredes.
Eles precisam de borboletas à frente.
Eles precisam de cor.
Eu quero cor.
Mas, segundo uma das Leis de Murphy...
"O modo mais rápido
de se encontrar uma coisa
é procurar outra.
Você sempre encontra
aquilo que não está procurando".

(Thiago Kuerques - 19/10/06)

segunda-feira, maio 19, 2008

A desencantada do ônibus e do dentista.

Não sabia como me aproximar dela naquele matinal ônibus de todos os dias. Cabelos abusadamente lisos, como cortina de um palco para o rosto perfeitamente fino. Era a única que vi naquele veículo a cruzar as pernas num espaço tão pequeno. Sabia que era linda. Nathalia? Amanda? Rosélia? Fabiana? Joana? Claudinha? Assassina? Professora? Psicóloga? Matilde? Ana? Me engana!
Enchia-me de audácia todo dia um pouquinho mais. Foram tantas doses homeopáticas que me perdi. Mas depois me encontrei bem ali, cruzando com ela mesma na fila de espera do dentista. Éramos cinco. Depois quatro. O terceiro acompanhava o sexto que eu nem havia visto entrar. Restamos nós. Comecei o assunto. Ela lembrou de mim do ônibus. Fazia pré-vestibular no centro. E eu estagiando na engenharia. Falava de violoncelo e eu ainda sonhando com a guitarra. Pensava em natação e eu ainda nos próximos jogos do Caxias na tv. Viajou o mundo um pouquinho e eu só fui a São Paulo ver os Rolling Stones uma vez. Mas usava aparelho como eu.
Quando lembramos disso da última vez eu lhe resgatei em mim. Mirei duas horas nos olhos negros e prossegui. Agora, se ela me dissesse que se apaixonou por mim e não me acha um príncipe, muito menos encantado e que não chegou a mim porque buscava ele, eu a amaria por toda vida. E foi o que ela disse. Por toda a vida.

quinta-feira, maio 15, 2008

Mário Quintana não me ajudou

- E como está o namoro?
- Não estamos namorando.
- Hm
Era uma espécie de teimosia do destino. O namorado atual dela era tudo o que eu não consegui ser. Podia até ser rei e eu um pobre diabo. Mas eu sabia bem que o mais importante ele não haveria de ter. Pois eu guardava comigo. Era o meu pesadelo bom. O beijo, a uns três ou quatro meses atrás, tivera sido roubado por mim num ato de desespero. Quis, sim, tacar alcool na fogueira quase fria. Nunca havia recebido um olhar de tamanho desprezo. E ela se foi.
Meu passado e eu. Eu não queria saber mais que podia. Eu estava de teco-teco nervoso, um tique meio doido. Pegava carona nas pessoas que passavam com o meu olhar só para não ter que encará-la sem poder tê-la. Corria os olhos pela bilionésima filial do McDonald´s, pelo segurança vesgo, pela calça jeans escura dela mesma. Acontece que éramos criminosos por nos amarmos e não estarmos juntos. Aliás, estávamos em outras. Ela quase noiva sem mesmo namorar. Voê, leitor, não entende se não afeito a dogmas. E eu, sei lá. Deu-me um acesso voluntarioso e infindável de covardia. Corria mais os olhos pelos quadros expostos em preto e branco do passado da minha cidade. Santa história. Quer saber? Eu voltei a abrir a boca, o coração...
- Eu ainda te amo, menina. Eu ainda te amo! Não te amo pouco, te amo ainda mais.
E ela olhou. Olhou novamente. Se atrapalhou nos passos. E olha que estava parada. Olhou ao redor. Me aproximei. Estava com blusa rosa e ela de verde. Rompia nos pés uma vontade de correr o mundo com ela furtada a tiracolo. E foi de vez em vez que os lábios pareciam ímãs. Mas o beijo era exatamente aquela parte do íma que repudia. As bochechas grudavam e as bocas não se permitiam. O que é que o bom Mário Quintana diria a ela? Diria para morrermos.
- Morrer? Tá louco?
- Nunca leu Mário Quintana?
- Li, sim.
- Mário diria...
- Gosto de vida.
- Mário diria que é tão bom morrer de amor... e continuar vivendo.
- Estou grávida do meu noivo... E Mário Quintana saberia que existem muito mais coisas além de amor. Chegamos ao fim.

sábado, maio 10, 2008

Culpa do noticiário

Que me faz sumir do mundo.
É uma criança que morre
E muita gente que surge
Parecem nascer da tragédia sensacional
Justiceiros do aparecer
O absurdo fantástico
Que é hoje viver.
Um mês de ausência
Sem amor em maio
É tudo culpa
Desse tal noticiário.

segunda-feira, abril 28, 2008

Rekeio

- No rekeio, pai.
- Não, filho. É recreio.
- Rekeio.
- Não. Re-creio. Repete comigo.
- Re-KEIO.
- Re...
- Re...
- Cre...
- ...
- Fala, filho. Cre...
- Keio?
- Desisto.
- Eu só como, papai.
- Deixa, meu bolinha.
- Deixa pá lá nada.

sexta-feira, abril 25, 2008

Ex

Já tive alguns meninos mais. Uns garotos, apenas garotos. De nada não eram ruins. Eram apenas eles. E eles, nenhum deles, são em alguma parte você. Não consigo nem ver Leoni cantar que não seja com você. São outros namorados e nenhum pode encaixar um abraço feito os seus. Eu me encolhia e descobria assim que o amor nos faz coragem e vítima, medo e aconchego. Depois de você, sei não.
Agora, apenas amigos. Assim não vale. Acho até que engordei, enfeiei o que eu achava que não podia ficar pior. Quando me chamava de baixinha eu até queria encolher mais pra ver o quanto você podia me proteger. Outro dia achei uma carta. Nosso primeiro mês. Não consigo ver as meninas do seu lado, sorrindo. Elas não merecem o melhor homem que tive na vida. tive até garotos antes. Nenhum deles fez o que você me fez.
Tem gente que até hoje pergunta de ti. Mas quem não pergunta sou eu. Pena que te conheci a milhões de anos atrás...

terça-feira, abril 22, 2008

Ainda não começou

"Mesmo que fale três línguas e eu ainda no português. Mesmo que venha de carro e eu a pé. Mesmo que seja enorme e eu pequeno. Com suas viagens, suas experiências. Mesmo com tudo. Não faça mais nada porque até o meu consciente sabe que teu inconsciente me quer. Não é papo de galanteador, não. Não é indolência, por favor. É a verdade que já está dita e bem dita. Teu inconsciente sobrepunha teus olhos e, assim, teus olhares são meras crianças falastronas e sinceras."
- Achei isso jogado no chão da tua sala... - disse ela a mim.
- Ah, sei lá. Apenas um trecho de um filme.
- O filme da nossa vida?
É sim, o filme da nossa vida. Eu estou aqui olhando nos seus olhos e não consigo não mais te ter.
- Responde. É o filme da nossa vida?
Eu não conseguia falar. É uma ferida aberta para a etenidade. Eu fingia que não amava mais. Ela também. Mas...
- Ahh, tchau.
E eu fico apenas pensando. O mais covarde. Não consigo falar nos olhos dela. Esses mesmos olhos infantis e falastrões...
- Eu ouvi o que você falou...
- Eu tô falando de amor e não de qualquer coisa.
- E eu estaria falando de quê? Bobo...

Já se pode imaginar no que deu.

quinta-feira, abril 17, 2008

Aquilo denovo?

- NÃÃÃÃÃÃÃO. É o fim!
- Que isso cara?
- Não dá pra acreditar. Sinal vermelho!
- Um sinal vermelho, Evandro.
- NÃÃÃÃÃÃÃO, outro sinal vermelho. Puta que paril!
- Calma, amigo.
- Calma nada. Olha alí. Uma maldita nuvem cinza. Vai chover e minha praia vai babar.
- Hoje é terça-feira. Sua praia é sábado.
- Puta que pariiiiiiiiiiiiiiiiiil!
- Já sei. A Sandra tá de TPM denovo, só pode.

sexta-feira, abril 11, 2008

O feriado do "comigo não tá".

Acabo de vê-la apagando mais que meia dúzia de palavras difusas e resgatantes de um passado recente. Foi a flor que me negou. Também pudera. Criança diz "comigo não tá". E eu não me dei conta que tinha que dizer "nem comigo". Está comigo.
A menina que Jobim não musicou apaga a cada olhar alheio, a cada escorrregão pra lá do trilho que caminho o estreito que ainda nos unia seja lá de que forma fosse. Ah, Jobim, ela se distancia num clarão cada vez mais irreversível, irredutível.
Que música surda, que ar voluptuosamente cruel, que amor consumido em tão pouco tempo e que deixou um rastro um tanto eterno de destruição. Façamos de um feriado o dia de hoje para que eu possa não trabalhar e morrer com razão ao menos por justificáveis vinte e quatro horas.