Nos tempos da vovózinha, além das ciroulas beges e do telegrama, as histórias de amor duravam mais que noventa minutos. Talvez porque não havia a chance de poder escolher o melhor produto na prateleira recheada de homens e mulheres. Ou porque o cupido era mais generoso e paciente. O mundo era menor. A expectativa de vida biológica era menor. Mas a vida vivida era infinitamente maior.
No meu tempo, da webcam e do tênis com amortecedor, o excesso de opções atrapalha na hora da decisão. Demoramos a escolher e, com tanta dúvida, estamos correndo risco de escolher mal. Ou é porque o cupido está ocupado demais navegando na internet, tirando fotos dos melhores momentos para pôr no orkut. O mundo é grande pra caramba e está cada vez mais estreito. Morremos mais tarde e vivemos tão pouco. Hoje as histórias de amor duram um pouco mais que dez minutos. De repente alguma história de amor começou e terminou antes que você terminasse de ler isto.
quinta-feira, março 25, 2010
sexta-feira, março 19, 2010
Não sei se espero ou se corro
Não sei se espero ou se corro. É como tentar advinhar se meu trem que não usa trilhos vai passar por aqui ou por lá. É como querer tirar fotografia de um raio esporádico no meio de uma tempestade. Não sei por onde ir no meio desse nevoeiro momesco. E é um nevoeiro quente. Traz uma gota de suor saindo do pescoço, caindo por entre os peitos. Aquece o pulmão. Causa tosse esbaforida. Não sei se se espero ou se corro. Se bato ou mordo. Se é boné ou gorro. Se é telegrama ou twitter. Se é batom ou glitter.
Não sei se fico mais um pouquinho ou se começo a dieta de você. É como tentar chutar uma mosca dentro de um quarto escuro. É como querer supor alguma coisa sobre o próximo samba. Não sei se como ou se bebo. Se é intervalo ou recreio. Se é a marcha engrenada ou o freio. Se é o leme ou um pombo correio.
Não sei se é direito ou de esquerda. Se você sorriu pra mim ou para o rapaz ao meu lado. Se diz não querendo dizer sim. Se diz tchau querendo dizer vem. Ou se realmente eu devo correr, deitar em outra cama, fazer conchinha com uma pessoa menor ou maior, beliscar o bico do seio de uma menina que nem sabe a que veio. Se é isso, pois bem, eu corro.
Mas se for para ficar, eu morro. Morro de amor por você. E como eu amo!
Não sei se fico mais um pouquinho ou se começo a dieta de você. É como tentar chutar uma mosca dentro de um quarto escuro. É como querer supor alguma coisa sobre o próximo samba. Não sei se como ou se bebo. Se é intervalo ou recreio. Se é a marcha engrenada ou o freio. Se é o leme ou um pombo correio.
Não sei se é direito ou de esquerda. Se você sorriu pra mim ou para o rapaz ao meu lado. Se diz não querendo dizer sim. Se diz tchau querendo dizer vem. Ou se realmente eu devo correr, deitar em outra cama, fazer conchinha com uma pessoa menor ou maior, beliscar o bico do seio de uma menina que nem sabe a que veio. Se é isso, pois bem, eu corro.
Mas se for para ficar, eu morro. Morro de amor por você. E como eu amo!
segunda-feira, março 15, 2010
Ao sair do quarto
Virei pro lado e traguei o que seria o último perfume saboroso da pequena. Levantou com aquele vestido dos céus, uma divindade da beleza, uma roupa de dormir sensualmente elegante com corações vermelhos e predominância branca. O tal vestido começava com duas finas alças, abraçava um decote que tentava sem sucesso algum ser singelo e percorria até a metade das coxas num tecido liso, escorregadio, excitante. Ela esteve numa das melhores noites. E nunca esteve tão distante. Por isso a noite foi distinta. Os homens olham e sentem muito o corpo e um pouco a alma. As mulheres sentem um pouco mais a alma que o corpo. Ambos sentem. Eu senti um branco absurdo nos olhos dela. Pelo que me recordo passava alguma coisa na TV que eu nem sei, uma briga de ogros divergentes sobre futebol no bar lá debaixo, uns uivos do Cazé, meu papagaio de tufos amarelos, e uns arrastões de móveis no apartamento do vizinho de cima. E ela tocou o celular, interfone, capainha, meus peitos, meu dito cujo, minhas coxas, minha língua, minhas covas da virilha, minha cama, e, por fim, tocou com o lado de fora da mão a maça do meu rosto.
Conheci muitas coisas que disseram um bom oi. Aquele sorriso diferente no meio de um monte de gente. A primeira vez que a amiga mais descarada ficou ruborizada de vergonha. Quando me pediram telefone, quando ofereceram o ombro, quando ofereceram uma noite longe, quando simplesmente optaram pelo fio vermelho. Tem certos momentos que descobrimos como boas entradas em nossas vidas. E existem momentos de despedidas tão singelos quanto. Uma quantidade de chamadas não atendidas no telefone, um não convite para um evento especial, o sumiço em si ou a indiferença entre o bom dia e o boa tarde. O branco vazio esfumaçado dos olhos dela ao sair arrumada do banheiro, cançando as sandálias verde-ouro, e, assim mesmo sem qualquer espécie de adeus, sair escorregadia pela porta marrom, envernizada e eterna da saudade. Saudade da minha alma, do meu coração. Pois, lhes digo, ao sair apague a luz, feche a porta e diga tchau porque, pra quem fica, há sempre uma esperança de que ninguém se foi de vez.
Conheci muitas coisas que disseram um bom oi. Aquele sorriso diferente no meio de um monte de gente. A primeira vez que a amiga mais descarada ficou ruborizada de vergonha. Quando me pediram telefone, quando ofereceram o ombro, quando ofereceram uma noite longe, quando simplesmente optaram pelo fio vermelho. Tem certos momentos que descobrimos como boas entradas em nossas vidas. E existem momentos de despedidas tão singelos quanto. Uma quantidade de chamadas não atendidas no telefone, um não convite para um evento especial, o sumiço em si ou a indiferença entre o bom dia e o boa tarde. O branco vazio esfumaçado dos olhos dela ao sair arrumada do banheiro, cançando as sandálias verde-ouro, e, assim mesmo sem qualquer espécie de adeus, sair escorregadia pela porta marrom, envernizada e eterna da saudade. Saudade da minha alma, do meu coração. Pois, lhes digo, ao sair apague a luz, feche a porta e diga tchau porque, pra quem fica, há sempre uma esperança de que ninguém se foi de vez.
segunda-feira, março 08, 2010
Apenas um oito de março
Não me venha dizer que vai comemorar com aquela música do Neguinho da Beija-Flor que é só mulher e mulher e mulher. Mulher é mais. E menos, também. É rascunho definitivo; é peito, despeito, respeito, silicone natural, câncer de mama; é madura quando verde, imatura de rosa, antes dos dez anos; é pai, guerreira e soldado; é muito mais macho que muito homem; é capaz de matar por amor e, ao final disso, se preocupar com a unha e o cabelo.
E só por um dia que nos vimos diante disso. De uma espécie não exatamente evoluída, mas diferente. É completamente alheia a tudo que há no universo. Por isso nós, homens, mulheres, meninos, meninas e outros, nos apaixonamos perdidamente pela mãe, pela professora, pela pediatra, pela apresentadora de TV, pela prima, pela vizinha, pela melhor amiga, pela mãe da melhor amiga, por uma mão lisinha, por sua cunhada, por sua filha, pela melhor amiga da sua filha, pela mulher que te atende, pela mulher que não te entende.
Tem mulher de mentira. E tem homem que gosta disso. Tem homem que quer ser desse outro planeta também e, de alguma forma estranha, se torna uma. Tem homem que só por hora se torna uma. Só por uma noite, por um carnaval. Mas mulher não se imita, não se copia. Mas o bom mesmo é a mulher de verdade. Aquele cheiro de pele que nenhum perfume consegue igualar. Aquelas curvas que até a mulher mais reta possui. Aquele poder que tem no ventre e ninguém mais tem.
É a mulher que discute sozinha; que muda os rumos de uma guerra; que vence sempre a guerra dos sexos; que derruba imperadores; que inspira poemas, romances, músicas e tem criado um dia só pra ela. Só não concordo que seja em apenas um oito de março...
E só por um dia que nos vimos diante disso. De uma espécie não exatamente evoluída, mas diferente. É completamente alheia a tudo que há no universo. Por isso nós, homens, mulheres, meninos, meninas e outros, nos apaixonamos perdidamente pela mãe, pela professora, pela pediatra, pela apresentadora de TV, pela prima, pela vizinha, pela melhor amiga, pela mãe da melhor amiga, por uma mão lisinha, por sua cunhada, por sua filha, pela melhor amiga da sua filha, pela mulher que te atende, pela mulher que não te entende.
Tem mulher de mentira. E tem homem que gosta disso. Tem homem que quer ser desse outro planeta também e, de alguma forma estranha, se torna uma. Tem homem que só por hora se torna uma. Só por uma noite, por um carnaval. Mas mulher não se imita, não se copia. Mas o bom mesmo é a mulher de verdade. Aquele cheiro de pele que nenhum perfume consegue igualar. Aquelas curvas que até a mulher mais reta possui. Aquele poder que tem no ventre e ninguém mais tem.
É a mulher que discute sozinha; que muda os rumos de uma guerra; que vence sempre a guerra dos sexos; que derruba imperadores; que inspira poemas, romances, músicas e tem criado um dia só pra ela. Só não concordo que seja em apenas um oito de março...
quinta-feira, março 04, 2010
Ciúmes de Júlia
O ciúme é um dos sentimentos mais mortais do universo. É uma síndrome passiva que nos é avassaladora em certo momento da vida. Bebemos do vírus do ciúme assim que comemos da fruta do amor. É como um alimento cítrico que traz o bom do conteúdo e o caldinho discreto e amargo. Provamos do bom do amor ingerindo também o hospedeiro ciúmis doentius. Nas palavras de um pensador caquético quem ama sente ciúmes. O biólogo cruzou a esquina berrando que o ciúme para o amor é como aquele cardume de peixinhos seguindo a baleia jubarte, se alimentando dos restos do que o mamífero maior come. O médico chama de mal de amor, como os de Parkinson. O sociólogo chama de mazela. Que seja. Não chamo de nada. Não o convido para ficar tão perto. Porque ciúme é uma faca afiada demais, um revolver ultrajante e fatal. É a síncope sintética de um metal indestrutível. É meu veneno, minha água. É onde eu e você bebemos como termômetro para se saber se há amor.
Júlia, uma mulher rodriguiana. Nelson diria que ela era de parar o trânsito, fechar a rua sem prazo de abertura. Claro, seios fartos, postura altiva, criatura dos infernos mais prazerosos da libido masculina e, até, feminina. Casada, de certo. Decotada, de errado. Provocava incovenientemente os maiores sonhos até nos amigos. Também pudera. Além de tudo possuía um quê de criança pedindo colo, uma voz sussurrante, um alvoroço no olhar amêndoa que, obviamente, ela mesma sabia ser capaz de tudo. E conseguia emprego, facilidades, passar a frente em filas e até descontos voluptuosos. E, como se não bastasse, dizia não saber entender quando um homem possuía segundas intenções e se algum convite era mais que um simples convite. Essa era Júlia. Que homem suportaria tamanha sensação de insinuante desconfiança? E na cama, como todas as mulheres, convencia tanto no orgasmo que até disso o pobre marido desconfiava. Felicidade e esmola demais o santo, mesmo que seja do pau bem oco, desconfia. Começou a ver mensagens no celular, a ligar para o trabalho dela, a andar pelos cantos. E via coisas suspeitas mesmo. Um amigo mais presente. Um carinho mais forte e qualquer palavra além de bom dia seria crime. E foi.
O marido, como os maridos de Nelson, resolveu tratar uma rodriguiana da forma que merece. Tratou de despi-la no meio da rua, na frente do bar, leu cada mensagem do celular e o e-mail tosco de um admirador. Não esperou que fosse inverdade. Era verdade para ele mesmo que fosse mentira. Após a leitura, sem sabatinar a mulher, abandonou a praça, a rua, o público e a mulher nua e talvez adúltera. Nunca se soube, como nos orgamos múltiplos o que é falsidade e o que é verdade, se ela realmente o traiu. Como a primeira frase diz, o ciúme é um dos sentimentos mais mortais do universo, meu caro. Saiba degustá-lo.
Júlia, uma mulher rodriguiana. Nelson diria que ela era de parar o trânsito, fechar a rua sem prazo de abertura. Claro, seios fartos, postura altiva, criatura dos infernos mais prazerosos da libido masculina e, até, feminina. Casada, de certo. Decotada, de errado. Provocava incovenientemente os maiores sonhos até nos amigos. Também pudera. Além de tudo possuía um quê de criança pedindo colo, uma voz sussurrante, um alvoroço no olhar amêndoa que, obviamente, ela mesma sabia ser capaz de tudo. E conseguia emprego, facilidades, passar a frente em filas e até descontos voluptuosos. E, como se não bastasse, dizia não saber entender quando um homem possuía segundas intenções e se algum convite era mais que um simples convite. Essa era Júlia. Que homem suportaria tamanha sensação de insinuante desconfiança? E na cama, como todas as mulheres, convencia tanto no orgasmo que até disso o pobre marido desconfiava. Felicidade e esmola demais o santo, mesmo que seja do pau bem oco, desconfia. Começou a ver mensagens no celular, a ligar para o trabalho dela, a andar pelos cantos. E via coisas suspeitas mesmo. Um amigo mais presente. Um carinho mais forte e qualquer palavra além de bom dia seria crime. E foi.
O marido, como os maridos de Nelson, resolveu tratar uma rodriguiana da forma que merece. Tratou de despi-la no meio da rua, na frente do bar, leu cada mensagem do celular e o e-mail tosco de um admirador. Não esperou que fosse inverdade. Era verdade para ele mesmo que fosse mentira. Após a leitura, sem sabatinar a mulher, abandonou a praça, a rua, o público e a mulher nua e talvez adúltera. Nunca se soube, como nos orgamos múltiplos o que é falsidade e o que é verdade, se ela realmente o traiu. Como a primeira frase diz, o ciúme é um dos sentimentos mais mortais do universo, meu caro. Saiba degustá-lo.
sábado, fevereiro 20, 2010
Conto da Desprincesa
"Bem que poderia ser como nos contos de fadas", dizia ela toda vez que se decepcionava com um homem. Ora bolas murchas. Existem príncipes para qualquer mulher? Plebéia não tem príncipe cativo. E foi o que tentei falar a ela. Feia ela não era. A propósito, era e ainda é muito bonita. Só não sabia que era tanto. E nem se fazia esplendorosa como devia de ser. "Já sei. Então fará o curso de princesa", disse a ela que, por sua vez, concordou com algumas ressalvas.
A cada dia chegava em casa mais animada. No primeiro achou graça da situação. No segundo já parecia insistir na graça. Da segunda semana em diante já mudava o andar, o sorriso aparecia mais brilhante e os olhos ousavam mais. Ao mesmo tempo que uma doçura ocupava todos os trejeitos como se estivesse avisando que esteve sempre por ali adormecido. Mudaram as roupas, o penteado e o bronzeado. Sabia falar bem e até pouco quando devia de ser. Muito falava quando devia de ter. E teria muito o que falar. Reprovou em alguns testes iniciais por resistir a idéia do curso. Depois, denotava um ar de pocahontas quando cantarolava. E como aprendeu a cantar. Sorria como um brinde à quem inventou essa coisa de ser feliz. Aliás, essa moda de mostrar os dentes alinhadamente entre lábios macios é de uma singularidade impressionante. E foi o que de melhor ela aprendeu. Conversou com as plantas e os animais a partir dali. Chamava a natureza de mãe e sua mãe, de fato, coitada, era mais urbana que os próprios prédios cinzentos. Criou força, criou tolerância e um talento enorme para ver e ser vista. Até que, enfim, o curso terminou.
Surgiu ao primeiro domingo com um diploma na mão. "Agora sou princesa", dizia ela com o papel esticado à minha frente. "Você sempre foi princesa, minha filha". Ela sorriu como as melhores princesas devem sorrir. Mas não sorria satisfeita.
Tempos depois voltou e resmungou: "Eu queria ser princesa. Agora eu quero ser mulher. Ser princesa é muito irreal e nenhum homem me quer. Sabe porquê? Porque não existem príncipes por aí. Só existem homens apaixonantes com roupas normais, com cabelos normais, um pouco mais magros ou mais gordinhos que o normal. Gostam um pouco mais ou um pouco menos de discutir a relação, de futebol aos domingos e de ver comédias românticas. Mas são homens. Príncipes seriam sem graça alguma". Das duas, uma: ou apaixone-se por um homem e aceite-o como ele será ou mande-o para um curso de príncipe. Mas, cuidado, todo príncipe tem a armadura e o cavalo branco que lhe convém.
A cada dia chegava em casa mais animada. No primeiro achou graça da situação. No segundo já parecia insistir na graça. Da segunda semana em diante já mudava o andar, o sorriso aparecia mais brilhante e os olhos ousavam mais. Ao mesmo tempo que uma doçura ocupava todos os trejeitos como se estivesse avisando que esteve sempre por ali adormecido. Mudaram as roupas, o penteado e o bronzeado. Sabia falar bem e até pouco quando devia de ser. Muito falava quando devia de ter. E teria muito o que falar. Reprovou em alguns testes iniciais por resistir a idéia do curso. Depois, denotava um ar de pocahontas quando cantarolava. E como aprendeu a cantar. Sorria como um brinde à quem inventou essa coisa de ser feliz. Aliás, essa moda de mostrar os dentes alinhadamente entre lábios macios é de uma singularidade impressionante. E foi o que de melhor ela aprendeu. Conversou com as plantas e os animais a partir dali. Chamava a natureza de mãe e sua mãe, de fato, coitada, era mais urbana que os próprios prédios cinzentos. Criou força, criou tolerância e um talento enorme para ver e ser vista. Até que, enfim, o curso terminou.
Surgiu ao primeiro domingo com um diploma na mão. "Agora sou princesa", dizia ela com o papel esticado à minha frente. "Você sempre foi princesa, minha filha". Ela sorriu como as melhores princesas devem sorrir. Mas não sorria satisfeita.
Tempos depois voltou e resmungou: "Eu queria ser princesa. Agora eu quero ser mulher. Ser princesa é muito irreal e nenhum homem me quer. Sabe porquê? Porque não existem príncipes por aí. Só existem homens apaixonantes com roupas normais, com cabelos normais, um pouco mais magros ou mais gordinhos que o normal. Gostam um pouco mais ou um pouco menos de discutir a relação, de futebol aos domingos e de ver comédias românticas. Mas são homens. Príncipes seriam sem graça alguma". Das duas, uma: ou apaixone-se por um homem e aceite-o como ele será ou mande-o para um curso de príncipe. Mas, cuidado, todo príncipe tem a armadura e o cavalo branco que lhe convém.
sexta-feira, fevereiro 12, 2010
Saia comigo
Porque nao abandonar
Sair, um chá surdo
Um café miudo
Um sorvete escorregadio
Num pedaço de beijinho.
Sair do sempre
Ir pro de repente
Cantar um poema desses
Fazer coisas loucas
Indecentes
Porque nao sair?
Ficar ai, assim
Meio aquém
Longe demais
Esperando dormir
Vamos daqui
Além das palavras
Porque ja confessei
Que nao é pouco
Que te amei.
Mas vale sair.
Sair, um chá surdo
Um café miudo
Um sorvete escorregadio
Num pedaço de beijinho.
Sair do sempre
Ir pro de repente
Cantar um poema desses
Fazer coisas loucas
Indecentes
Porque nao sair?
Ficar ai, assim
Meio aquém
Longe demais
Esperando dormir
Vamos daqui
Além das palavras
Porque ja confessei
Que nao é pouco
Que te amei.
Mas vale sair.
terça-feira, fevereiro 02, 2010
Orgie
Terminei o meu discurso e todo mundo começou a se beijar. Primeiro todos entreolharam-se suavemente violentos. Gelidamente fogosos. Sabiamente simpáticos. E começaram, assim mesmo como você imagina, sem cerimônia nenhuma, a se beijar. E era flor beijando espinho. Era espiga beijando o milho. Negra beijando sapo. Nerd beijando tela. Ela beijando ela, vê se pode.
Foi só dar o aval que ninguém mais fez mal. Foi o bem beijando o nenem. A atenção beijando o aquém. O pobre beijando notas e notas de cem. E nem vem, tristeza, que aqui não tem.
Abaixei os olhos em pormenores. E, olha aqui eu beijando o microfone, beijando a carta sem nome e beijando o rosto da mulher que estava chorando sem homem. O dedo beijando o mi sustenido. O relógio de bem com o tempo. O dente beijando a lingua, a lingua beijando os lábios, e os lábios beijando os seus lábios. O príncipe beijando o cavalo branco. E o branco beijando os olhos quando olho pro céu assim que do breu saio.
Não acredito. É o Lula beijando o Sarney ali na primeira fila? É o Eurico beijando o escudo do Flamengo? O assaltante beijando o juiz? O assaltado beijando o próprio nariz? A criança beijando suas próprias agulhas? O Serra beijando Aécio que beijou Dilma que beijou Marina. É o Haiti beijando a sorte? É o mendigo beijando o Porche? A pedófila beijando o coroa? Os olímpicos beijando o Rio de Janeiro? O hipócrita beijando a consciência? Não é conscidência que o Brasil beije devagarzinho a face do progresso.
A médica linda beijando a carreira. O mecânico de branco beijando a riqueza. O ator beijando o desenho animado. O tranbiqueiro desanimado beijando o juízo afiado. O apostador beijando a falta de ousadia; o magnata beijando a sua tia; o delegado mandando beijo pra quem fugia; o palhaço beijando a lágrima de quem se ria.
Depois disso tudo corri a beijar também. Beijei a diferença no meio dos normais; beijei os maiores pecados do meu pai; beijei a irmã da irmã da cunhada; beijei depois do banho dela a toalha molhada; beijei o salgado no meio da cocada; beijei até a graça no meio da piada; beijei a insensatez pela primeira vez; beijei o meu pé depois de velho; beijei uma raspinha da dividida; beijei a calcinha da amiga na frente da própria; só não beijei a danada da apaixonada. Mas me beijaram o pescoço, o esposo, o tesouro, o bondoso, o horroroso, o teimoso. Me beijaram a face, devagar, extendendo o tempo, esticando a mão, fechando os olhos, recordando você. Vá entender.
Foi só dar o aval que ninguém mais fez mal. Foi o bem beijando o nenem. A atenção beijando o aquém. O pobre beijando notas e notas de cem. E nem vem, tristeza, que aqui não tem.
Abaixei os olhos em pormenores. E, olha aqui eu beijando o microfone, beijando a carta sem nome e beijando o rosto da mulher que estava chorando sem homem. O dedo beijando o mi sustenido. O relógio de bem com o tempo. O dente beijando a lingua, a lingua beijando os lábios, e os lábios beijando os seus lábios. O príncipe beijando o cavalo branco. E o branco beijando os olhos quando olho pro céu assim que do breu saio.
Não acredito. É o Lula beijando o Sarney ali na primeira fila? É o Eurico beijando o escudo do Flamengo? O assaltante beijando o juiz? O assaltado beijando o próprio nariz? A criança beijando suas próprias agulhas? O Serra beijando Aécio que beijou Dilma que beijou Marina. É o Haiti beijando a sorte? É o mendigo beijando o Porche? A pedófila beijando o coroa? Os olímpicos beijando o Rio de Janeiro? O hipócrita beijando a consciência? Não é conscidência que o Brasil beije devagarzinho a face do progresso.
A médica linda beijando a carreira. O mecânico de branco beijando a riqueza. O ator beijando o desenho animado. O tranbiqueiro desanimado beijando o juízo afiado. O apostador beijando a falta de ousadia; o magnata beijando a sua tia; o delegado mandando beijo pra quem fugia; o palhaço beijando a lágrima de quem se ria.
Depois disso tudo corri a beijar também. Beijei a diferença no meio dos normais; beijei os maiores pecados do meu pai; beijei a irmã da irmã da cunhada; beijei depois do banho dela a toalha molhada; beijei o salgado no meio da cocada; beijei até a graça no meio da piada; beijei a insensatez pela primeira vez; beijei o meu pé depois de velho; beijei uma raspinha da dividida; beijei a calcinha da amiga na frente da própria; só não beijei a danada da apaixonada. Mas me beijaram o pescoço, o esposo, o tesouro, o bondoso, o horroroso, o teimoso. Me beijaram a face, devagar, extendendo o tempo, esticando a mão, fechando os olhos, recordando você. Vá entender.
quinta-feira, janeiro 28, 2010
Conto do violão surrado - Fim
Pegava as revistas de cifras dos amigos fracassados. Pegava, por ora, as revistas dos filhos dos amigos fracassados. A primeira que aprendeu foi Faz Parte do Meu Show, do Cazuza. Ele queria mesmo era testar o sexo dela com ar de professor. Dois meses depois compunha versos para ela. Aline, por sua vez, nunca perguntou o que ele queria realmente ter dito naquela noite e já namorava com o não mais estranho. Ela contava as peripécias de romântico do namorado. Ele, com amor guardado, mirava na promessa de ser músico dos melhores. Começou a tocar em bares. Quando se via ficando melhor. Mudou-se para São Paulo. Acometeu do fervor da noite paulistana. Ganhava notoriedade. Enquanto ela não se importava tanto com os dois anos sem notícias dele. Estourava na novela das oito da Globo uma balada de um cantor novo. Enquanto isso, a música tocava ao fundo do restaurante quando o estranho a pediu em casamento. Ela aceitava o anel. Ele assinava contrato. Ela queria entrar de branco na igreja onde a avó se casara, em Friburgo, no Norte Fluminense. Ele beijava por aí mas não se envolvia. Ela ficou grávida depois de envolvida na cama de casal. Ele gravou a mais bonita de suas músicas dedicada a uma criança. Quando Aline contava de sua gravidez para o futuro marido tocava exatamente essa música no rádio do carro. Quando a criança morreu, com dois meses de uma doença rara, ele fazia show de abertura do Sting na praia de Copacabana.
Num dos palcos da vida, depois de anos de sucesso - e anos de sucesso, no Brasil, podem ser dias ou meses - ela apareceu no gargarejo. Queria dizer o quanto gostava das suas músicas e o quanto era estranho ele parecer uma espécie de compositor da trilha sonora da vida dela. No meio do show ela reparou que ele a reconhecera. Gritou silenciosamente um "Eu te amo". Mas foi um "Eu te amo" de amigo. Ele só cantou. E cantou sorridente. Não sabia o que ela falava. As luzes não permitiam leitura labial. Olhou com ternura para o violão preto, surrado, cuja marca ninguém nem mais sabe o nome e sorriu vitorioso. Agora poderia viver tranquilamente os acordes de uma canção independente. Cumpriu sua missão. Sabia que tinha feito muito bem a trilha sonora da vida de Aline.
Num dos palcos da vida, depois de anos de sucesso - e anos de sucesso, no Brasil, podem ser dias ou meses - ela apareceu no gargarejo. Queria dizer o quanto gostava das suas músicas e o quanto era estranho ele parecer uma espécie de compositor da trilha sonora da vida dela. No meio do show ela reparou que ele a reconhecera. Gritou silenciosamente um "Eu te amo". Mas foi um "Eu te amo" de amigo. Ele só cantou. E cantou sorridente. Não sabia o que ela falava. As luzes não permitiam leitura labial. Olhou com ternura para o violão preto, surrado, cuja marca ninguém nem mais sabe o nome e sorriu vitorioso. Agora poderia viver tranquilamente os acordes de uma canção independente. Cumpriu sua missão. Sabia que tinha feito muito bem a trilha sonora da vida de Aline.
quarta-feira, janeiro 20, 2010
Conto do violão surrado - Parte I
O dindin dondon daquele violão preto, surrado, cuja marca ninguém nem mais sabe o nome era antigo. O moleque já fazia das suas por ali aos quatorze anos. Mesma época que morava na quarta rua à direita depois da praça da Mirandela, em Nilópolis. E mesma época que estudava no Colégio Nilopolitano, apaixonando-se por cada risadinha de menina diferente. Apaixonado, diga-se de passagem, só para ele e com ele. Nada de declarações. Aline era sua melhor amiga, vizinha e companheira de sapecas histórias. Aos dezesseis anos beijou a primeira menina enquanto Aline começava um namoro com um menino mais velho. Aos dezessete ele quis votar para presidente, perdeu a virgindade com uma colega e ganhou o primeiro campeonato de xadrez. Aline também perdeu a virgindade e começou a levar mais a sério o sonho de ser cantora. Aos vinte ele já havia se mudado para Jacarepaguá e ela, pra rua de trás. Ela estava noiva do segundo namorado. Ele noivo da sétima namorada. Ela pintou os cabelos de preto (e era ruiva natural). Ele já havia mudado de emprego seis vezes, comprou e vendeu dois carros e tirou pedras nos rins. Ela tomava remédios para diabetes, tão nova.
Aos vinte e três se cruzaram. Ela contou das novidades. Ele lembrou da época que eram felizes. Ela concordou. Não eram felizes. Beberam taças de vinho. Ela começou a tocar violão no bar onde estavam, em Campo Grande, bairro do Rio. Estavam no mesmo fim de mundo: recém-separados. Ela por ter sido traída. Ele por ter traído. Enquanto ela embaralhava suavemente canções de Ana Carolina, Belchior, Caetano, Ivan Lins, Ivete Sangalo, Lulu Santos, Jovelina Pérola Negra e Pixinguinha, o moleque crescido a amava. Amava como fazia com as meninas no colégio, mas amava como um graduado na faculdade adulta. Nao amou ali. Resgatou uma verdade. Sempre amou.
E, no intervalo, ele resmungou no meio da imensidão de barulhos que descobrira o que os ligava tanto. Descobriu o invisível teimoso que unia os dois. Descobriu o amor. "Não te ouço. Mas depois você me conta. Eu tenho que saber o que ele - dizia apontando para o rapaz branco e forte do outro lado do salão - quer comigo". "Mas, ele? Quem é?". "Não sei. Vou saber agora. Fui". "Mas eu... te amo".
Em pouco mais de quinze minutos eles se beijaram. Eles, meu amigo leitor, o estranho e Aline. E, quando voltavam, ele dirigia o carro Palio 97 e ela contava do novo. "Ele é músico".
Decidiu, então, retomar o dindin dondon do violão preto dos seus quatorze anos só para ser o músico da vida dela. A partir de agora seria assim.
Aos vinte e três se cruzaram. Ela contou das novidades. Ele lembrou da época que eram felizes. Ela concordou. Não eram felizes. Beberam taças de vinho. Ela começou a tocar violão no bar onde estavam, em Campo Grande, bairro do Rio. Estavam no mesmo fim de mundo: recém-separados. Ela por ter sido traída. Ele por ter traído. Enquanto ela embaralhava suavemente canções de Ana Carolina, Belchior, Caetano, Ivan Lins, Ivete Sangalo, Lulu Santos, Jovelina Pérola Negra e Pixinguinha, o moleque crescido a amava. Amava como fazia com as meninas no colégio, mas amava como um graduado na faculdade adulta. Nao amou ali. Resgatou uma verdade. Sempre amou.
E, no intervalo, ele resmungou no meio da imensidão de barulhos que descobrira o que os ligava tanto. Descobriu o invisível teimoso que unia os dois. Descobriu o amor. "Não te ouço. Mas depois você me conta. Eu tenho que saber o que ele - dizia apontando para o rapaz branco e forte do outro lado do salão - quer comigo". "Mas, ele? Quem é?". "Não sei. Vou saber agora. Fui". "Mas eu... te amo".
Em pouco mais de quinze minutos eles se beijaram. Eles, meu amigo leitor, o estranho e Aline. E, quando voltavam, ele dirigia o carro Palio 97 e ela contava do novo. "Ele é músico".
Decidiu, então, retomar o dindin dondon do violão preto dos seus quatorze anos só para ser o músico da vida dela. A partir de agora seria assim.
domingo, janeiro 17, 2010
Sem vida
Rodei tanto o mundo que nem sabia aonde exatamente estava acordando naquele dia. Pelo menos dormia sozinho, o que era especial. Ninguém no quarto. A ultima era bamba, do samba cubano. A penultima, bomba, de sangue ismâmico. Nem bomba nem bamba. Olhei pela janela e havia paz. Paz com solidez, temperatura baixa e queda brusca do céu. Era neve. Mesmo assim desci os dois jogos de escada, esnobei a friaca e invadi o primeiro bar. Era um Pub americano. Pedi um café gelado.
Consenti à memória o direito de ter folga naquele dia. Não consetia aos ouvidos não escutar as conversas ao redor. Haviam duas mulheres meio masculinizadas, maltratadas mesmo, num ponto atrás de mim, que já estava sentado ao balcão. O inglês era falado meio mastigado, bem maltratado mesmo. Mas entendia algumas coisas. Das piores era quando uma delas se dizia infeliz com tudo e que não acreditava em felicidade. Além delas, um casal feioso no outro canto brincava de serem infantis, uns bêbados jogavam bilhar, outros cinco vidrados na tela da reprise do jogo final do ano retrasado. Na outra tv o noticiario nos lançava o terremoto no Haiti. Ninguém ligava. Os que viam comentavam de justiça. Justificavam a indiferença por terem conhecido haitianos mal educados por varias vezes.
Um tremor foi sentido. Algumas taças foram lançadas ao léu. Espalharam cacos de vidro pelo chão. Nove segundos após minha visão tremia absurdamente. Não tinha equilibrio. Depois disso era como se eu tivesse apagado.
A primeira pessoa a me acordar foi um enfermeiro de meia idade. Não, de idade inteira. Completamente vivo. Só me informou que eu havia bebido demais. Só isso. E que eu havia entrado em coma alcoólico. E que meu princípio de úlcera (que eu desconhecia) havia evoluído muito bem. Evoluiu para uma úlcera de ultima geração, bem encorpada e prontinha para acabar comigo. Preferia o tremor. É o meu Haiti por doses homeopáticas. Voltei ao Pub uma semana depois. Escombros. Só escombros e uma placa que dizia "Without life".
Consenti à memória o direito de ter folga naquele dia. Não consetia aos ouvidos não escutar as conversas ao redor. Haviam duas mulheres meio masculinizadas, maltratadas mesmo, num ponto atrás de mim, que já estava sentado ao balcão. O inglês era falado meio mastigado, bem maltratado mesmo. Mas entendia algumas coisas. Das piores era quando uma delas se dizia infeliz com tudo e que não acreditava em felicidade. Além delas, um casal feioso no outro canto brincava de serem infantis, uns bêbados jogavam bilhar, outros cinco vidrados na tela da reprise do jogo final do ano retrasado. Na outra tv o noticiario nos lançava o terremoto no Haiti. Ninguém ligava. Os que viam comentavam de justiça. Justificavam a indiferença por terem conhecido haitianos mal educados por varias vezes.
Um tremor foi sentido. Algumas taças foram lançadas ao léu. Espalharam cacos de vidro pelo chão. Nove segundos após minha visão tremia absurdamente. Não tinha equilibrio. Depois disso era como se eu tivesse apagado.
A primeira pessoa a me acordar foi um enfermeiro de meia idade. Não, de idade inteira. Completamente vivo. Só me informou que eu havia bebido demais. Só isso. E que eu havia entrado em coma alcoólico. E que meu princípio de úlcera (que eu desconhecia) havia evoluído muito bem. Evoluiu para uma úlcera de ultima geração, bem encorpada e prontinha para acabar comigo. Preferia o tremor. É o meu Haiti por doses homeopáticas. Voltei ao Pub uma semana depois. Escombros. Só escombros e uma placa que dizia "Without life".
domingo, janeiro 10, 2010
Sou movido a combustível
Não sou um parque de diversões no qual os outros podem chegar até sem ingresso, aproveitar, se divertir e até me divertir e, mais a noitinha, partir.
Não sou nenhum martelo pra ser usado para bater nos outros e, machucado, ser deixado na gaveta.
Não sou nenhuma praia que o povo pode vir e encher de alegria ironica durante um dia de sol e mais pro final da noite me abandonar. Se eu fosse uma Copacabana, uma praia de menina praiana. Mas não sou.
Não sou nada de nada de uma borracha da cabeça de uma lapezeira que todo mundo tem mas não usa para não gastar e deixar de enfeite.
Não sou nenhuma rede pendurada na varanda da casa de veraneio que qualquer um pode descansar antes e depois da farra e nos tempos longe das férias ser abandonada.
Não sou um pé do par dos patins que só são lembrados na hora da faxina.
Não sou um dia 31 de dezembro que só é lembrado porque o ano termina. Só por isso.
Assim como os carros são movidos a combustível, sou movido por amor. Necessito amar para poder viver.
Não sou nenhum martelo pra ser usado para bater nos outros e, machucado, ser deixado na gaveta.
Não sou nenhuma praia que o povo pode vir e encher de alegria ironica durante um dia de sol e mais pro final da noite me abandonar. Se eu fosse uma Copacabana, uma praia de menina praiana. Mas não sou.
Não sou nada de nada de uma borracha da cabeça de uma lapezeira que todo mundo tem mas não usa para não gastar e deixar de enfeite.
Não sou nenhuma rede pendurada na varanda da casa de veraneio que qualquer um pode descansar antes e depois da farra e nos tempos longe das férias ser abandonada.
Não sou um pé do par dos patins que só são lembrados na hora da faxina.
Não sou um dia 31 de dezembro que só é lembrado porque o ano termina. Só por isso.
Assim como os carros são movidos a combustível, sou movido por amor. Necessito amar para poder viver.
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