sábado, fevereiro 19, 2011

Baixando a guarda

E eu sei o caminho da felicidade. É felicidade com prazo de validade, com tempo milimetricamente determinado mas é felicidade, na mais pura forma. Pelo menos é o que eu tenho e é o que eu sei. Pode até pensar no efêmero. Eu penso que é um pontapé inicial, um treinamento ou, melhor ainda, a origem. E somos tão burros que sabemos o nascedouro da felicidade, a origem dessa arte, o fino prazer. E sabemos também exatamente que quem dá felicidade também tira. E nunca estamos preparados pra isso. É como baixar a guarda pro mais perigoso pugilista com a esperança de que ele não irá desferir um soco, um gancho. É como saber que o mais íntimo é o pior inimigo, caso seja possível. Mesmo assim, lhes digo senhores do norte e senhoritas do sul, que tudo vale a pena em cada poeira, cada mancha na camiseta branca, cada rasgo na calça jeans. Mesmo assim mais vale acreditar que esse caminho da felicidade pode tornar-se mais longo e gostoso mesmo que haja um limite invisível, mesmo que calos passados machuquem, mesmo que planos futuros padeçam implicantes, mesmo que alguma coisa seja contra, apegue-se no tantão a favor. Permita-se não entrar na lei do impedimento. Permita-se não se negar a voar por medo de altura. Permita-se viver um amor bem grandão, mesmo que seja só por uma madrugada. O espaço de uma hora pode valer por uma eternidade. E falando em hora, hoje é um belo dia para se viver. Afinal, o dia terá 25 horas. O caminho da felicidade está nisso: em saber criar uma hora entre o sábado atolado e o domingo cansado só pra te ver. Vai ficar aí parada ou vai logo voar?

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

Mesmo que eu perca tudo

Citarei. Me perdoe, leitor, citarei sem lembrar a fonte. Não há cheiro de inteligência eqüina por aqui que me faça lembrar quem tenha falado isso mas falarei. O caso, senhores, é que não se pode deixar de viver a sua vida com o zelo de cuidar demais da vida alheia. O peão não pode deixar de laçar porque a menina na arquibancada tá com medo. É por isso que não deixarei de fazer mais nada moldado na reação dos outros, no que possam sentir, no que possam sofrer. Se eu tiver que ficar bêbado, ficarei. Beberei das piores biritas que os cantões desse país produziu e não terei vergonha de assumir que eu fiz isso ou aquilo. Se eu tiver que derrubar um muro, derrubarei. Farei de tudo o possível. E se eu for processado por isso, que se dane. Se eu tiver que quebrar a cara de alguém, farei. Quebrarei como se fosse a primeira e única coisa que eu fizesse na vida. Mataria aquele cara babaca, sim. Mesmo que eu perca tudo. Mesmo que eu perca família, mesmo que os amigos virem a cara, mesmo que minhas palavras peçam divórcio de mim, eu farei. Eu posso estar perdendo tudo mas estarei me ganhando.

domingo, fevereiro 06, 2011

Número restrito

O número na telinha do celular era restrito.
- Alô?
- Alô. Quem é?
- Prazer, Lauro. Estou te ligando pra te convidar pro nosso casamento no dia 21 de setembro, às 19 horas na Igreja da Candelária, no Rio de Janeiro. A noiva estará a mulher mais linda do mundo com um vestido que termina acima dos joelhos, com uma fenda respeitável na perna direita e uma renda que fará a tia fofoqueira da terceira fileira da esquerda comentar por duas semanas mais. E seremos felizes correndo na areia gelada da praia às cinco e quarenta e seis da manhã de domingo em frente ao Hotel que estaremos hospedados, ali mesmo em Ipanema.
- Lauro, já somos casados, lembra?
- É que todo dia eu me apaixono de novo e tenho vontade de te pedir em casamento mais uma vez e mais uma e mais outra...

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