segunda-feira, janeiro 30, 2012

É bamba e samba

É mãe e puta. É covarde e luta. É burro e leciona. É mulher e não dá. É virgem e sexóloga. É tubarão e truta. Nem surda nem muda. É errado e nem muda.
É contradição e coerência. É ausência e co-presença. É subsídio em esmola. É macho e preconceituoso mas vê beleza com bola. É palhaço sem nariz. É filial sem matriz. É perigoso e poddle. É articulado e twitteiro. É informado e não vê TV. É oculista e não vê. E não ê.
É rato e limpeza. É campeão de xadrez e lerdeza. É anarquia e obediência. É governabilidade e competência. É escroto e delicadeza. É samba e ditorção. É poema e lição. É poesia e lixão.
É cria e criador. É tímido e ator. É relutância e complô. É oval e corredor. É pilantra e sofredor. É aquarela em cor. É bamba. É samba. É caminhão de cerveja. É do bolo a cereja. Não é tão bamba quanto eu mas é samba e eu te respeito. É porra e nenhuma. É tudo mentira, é o amor. É o amor!

sábado, janeiro 21, 2012

Sem você eu não vivo, diz a música

Sem você eu não vivo, diz a música. Nem com você eu tenho vivido. Esse conceito de vida é muito estranho mesmo. Vê a graça que é viver sem ninguém. Tem? Nem tem. E com alguém? Depende. Só se for pra fazer muitas coisas, tipo fazer neném. Mas aí, amigo, é dádiva ou castigo. E é pra toda vida. E como viver? Aí vai querer mesmo viver sem ela. É um conflito. E a música perde todo o sentido. Ou faz uma música nova dizendo que "Sem você eu vivo sim". Ou não vive. Para de ouvir pagode ruim, ouvido poluído.

Casamento da mãe de todo mundo

Vamos lá. É fácil de ver. É fácil de pensar. Uma mulher e um homem. Digamos que o homem seja eu. Me encaixo nessa história. Sou mais convincente escrevendo na primeira pessoa. Seguimos então uma contemporaneidade simples. Não tão simples quanto a palavra que usei.
Sou o homem, não necessariamente belo e teu afeto. Você é meu desafeto. Tudo certo? Para qualquer coisa não é preciso amar. É preciso odiar um pouco, temer. Tudo certo então para namorarmos, casarmos e nos divorciarmos assim como manda o figurino do teatro da vida moderna. Afinal, ser feliz saiu de moda.
Ah, sim, esqueça qualquer paradoxo do moderno com o contemporâneo.

Mar de Trindade

Já vi muita gente sair do mar. Já vi até o que não devia. Tanto lá quanto cá. Tanto Arraial quanto Itacuruçá. Já até passei por Ipanema e me apaixonei algumas vezes. Não sei se isso é maluquice por existir ou apenas sinceridade por eu dizer. Sempre poesia. Sempre águas calmas e uma mulher saindo do mar. Essa não. Eu que saía do mar. Ela que estava poética. Como se fosse ela o poeta e eu a poesia. Fica meloso demais por ler mas, se me permite, é só assim que posso dizer. E nunca pensei em como seria bom encontrar alguém na areia. Eu que via sentado da areia todas as garotas de Ipanema saírem envergonhando o sol e me tornando cada dia mais bobo não esperava ser esse que envergonhava o resto da orla por ser amado, por assim dizer. Eu que era tão imperfeito hoje sou apenas o mais gostoso defeito de alguém. E que bom é ser!
Quisera eu poder chegar perto dela. Quisera eu encostar naquela boa pequena e carnuda. Quisera eu poder formar com ela o casal mais bonito da praia. Mesmo que não houvesse quase ninguém. Quisera eu, meu amigo. Quisera eu.
O mar desse lugar parece que segura pelo braço e manda passear sem se afogar. Convida para um chopp e não deixa pedir a saideira. É como um lugar que só existe pra quem acredita. Chove e faz sol com uma facilidade como se trocasse de porteiro o prédio. Quando um está no poder, chove torrencialmente. Quando o outro está, faz sol de verão. Lá é assim, acredite em mim.
Saí da água assim despretensioso. Só que vi pretensão demais nessa morena de olhos puxados para que eu não acreditasse tolamente que não existe, ou que possa esgotar o amor. Existe sim e pode ser inesgotável. Pra mim ela veste negro. E nunca foi tão boa a combinação de sol, mar e mulher como vi em mais uma praia. Desta vez era Trindade, bem ao sul do estado do Rio de Janeiro.

A fuga das cores

Meu papel tem o verso colorido;
E que trabalho nos dão as cores!
Ventadas desempregadas sempre pra cá
O mundo, tadinho.

Meu papel tem o verso
Que é o inverso do que escrevo.
O contrário da folha de papel
A estrofe ou um verso colorido.

Mas meu verso tem papel
Não é isolado nem bandido.
Uma vida tão babaca
Que as cores fazem fila até pra isso.

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