segunda-feira, agosto 07, 2017

MENSAGENS INESPERADAS

A gripe pegou de vez. Dizem que nós homens somos dramáticos em momentos de dor extrema, vou morrer, caraca, meu Deus! Mas eu discordo totalmente. O que melhora seu humor por aí? Claro que, salvos algumas raridades, a gente gosta de surpresas. Não ter expectativa torna tudo ainda melhor. Um abraço inesperado de quem a gente gosta é muito melhor que uma anunciada reunião de amigos que acaba minguando. Hoje, de humor especialmente tosco, pra lá de frio na alma, recebi um e-mail gratificante. Daqueles que a gente não imagina e aquece o espírito de uma forma especial. Segue:

"Oi Thiago, tudo bem contigo? Espero que sim. "Território" foi meu livro de cabeceira durante minhas férias. Nem tenho ideia do quanto lhe devo pela satisfação que sua obra me proporcionou nesses dias de calmaria, pelo tempo que passei recolhido em casa só pra desfrutar das coisas boas da vida: descanso, horta, passeio de bicicleta com a família, viagem, leitura.Conheci um pouco mais sobre a Nova Iguaçu dos meus tempos de andarilho pelos bairros da Luz e Miguel Couto. Parecia que eu estava caminhando por lá, conhecendo mais sobre sua gente, sobre suas histórias. Muito obrigado [...] especialmente pela oportunidade de encontrar uma janela do tempo, para retornar às minhas memórias afetivas, sempre que abria seu livro para reencontrar um diálogo perdido entre meu passado e meu presente."

Diariamente grato. Obrigado a este e-mail de um professor com o qual tive a oportunidade de ter aulas. Escrever é difícil pra caramba mas já experimentaram ficar torcendo para que uma pessoa leia seu livro? Pois é. A estrada é cheia de troços chatos mas é gratificante pra porra. Grato, professor.

sexta-feira, agosto 04, 2017

CADA VEZ MAIS ESCRAVOS DOS CELULARES

Ontem fui ao show do Mano Brown intitulado Boogie Naipes. Banda mandando muito bem um funk, com forte influência do Soul, do Jazz, do Funk e da MPB. O momento mais acalorado do show deu-se quando o ex-Racionais convidou casais para uma grande dança em cima do palco. Com voz grave indicou aos homens como deveriam agir com suas companheiras. Era uma dança, simples. Poucos dançaram. Motivo: estavam tirando fotos e fazendo vídeos em cima do palco só para dizer depois que estavam em cima do palco. Mano Brown foi até delicado:

"Vocês estão cada vez mais escravos dos celulares. Estão perdendo a noção. É pra dançar! Vai perder a dignidade. Vai perder a vida. Se liga, mano!"

Poucos se tocaram. Vos pergunto, sem demagogia alguma, se vale a pena passar a vida registrando no celular e esquecendo do coração. O celular - e essa necessidade de publicar para "amigos" o que estamos fazendo - está fazendo com que a gente não viva, fazendo com que a gente só pareça viver. Para ficar mais claro, estamos levando o hábito de inventar humores e personalidades virtuais para a vida. No dia a dia as pessoas estão - e já faz um tempo - desligadas do mundo real. Seja dirigindo, seja na mesa de bar, seja no trabalho, seja até na cama. Quantas vezes você se viu repetindo alguma coisa pelo fato de seu interlocutor estar repentinamente imerso na tela de um celular?
Não há nas regras de aceitação de uso de celular e de seus aplicativos que devemos oferecer atenção irrestrita, tampouco a obrigatoriedade de que tudo seja respondido e visualizado instantaneamente. Ao contrário de muita gente que critica o uso do celular não sou o defensor do fim do uso, nem demonizo a sua existência. Acredito que Machado de Assis teria, sim, um perfil no Twitter e que Shakespeare escreveria grandes textos no Facebook. E ambos usariam o celular. Sejamos anacrônicos e justos. A nossa era é essa. Devemos apenas equilibrar mais os movimentos das mãos e dos olhos. Talvez seja uma solução paliativa treinar o pensamento. Não precisamos primeiro pensar no que iremos postar. Pensemos primeiro no que vamos fazer, em como podemos sorrir, em como podemos nos satisfazer e só depois, se der e for necessário, publicamos.
Aposto que muita gente vai sequer lembrar das vozes das vocais de apoio (backing vocals) da banda, dos solos de trompetes, do baterista cheio de energia e do grave de Mano. Como virou moda por aí, em menos de 24 horas tudo vai caindo no esquecimento. Alguém quer apostar?

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