terça-feira, julho 29, 2014

CONTO DO RIO PÉRFIDO - CAPÍTULO I

Mal conseguiu reagir. Pedras, ruídos e uma opacidade desenganada. Visão torta, paisagem turva. Umidade mais que exagerada. Olhou, ou tentou olhar, para todos os lados. Imprimiu um ritmo crescente de aflição e descrença. Examinou o corpo sujo de terra. Encontrou alguns vegetais jogados pelo corpo. O celular estava em desuso. Totalmente molhado sabe-se lá de quê.A agonia sempre tem som nessas horas. Gritou qualquer coisa inteligível o mais barulhento que pôde. Só o som do eco veio como resposta. Era algo muito parecido com uma gruta.
- Gritar não vai adiantar. Comece me ajudando a subir. Anda!
- Estás surdo, moleque? - repetiu o senhor.
O moleque é um negro, ossudo, esticado pra cima, sanfonado e atende por José Patrício. Impactado pela situação absurda ajudou o senhor sem refutar nem mesmo o fato de ter sido chamado de moleque. Esqueceu a insolência adolescente por detrás do medo desconhecido.
- Qual seu nome?
Tentava elaborar algum sentido para aquilo tudo. Pela primeira vez na vida não entendia o que estava acontecendo. O que seria aquela gruta, os arranhões pelo próprio corpo e aquele velho a tagarelar infinitamente.
O velho aproximou-se e disparou dois cascudos bem no teto da cabeça do menino.
- Tem alguém aí? Acorda pra vida, moleque!
- Para de me bater, seu velho. Chamo José e só quero saber o que está acontecendo aqui. Como eu vim parar aqui? Como o...
- Calma, calma. Vamos localizar essa cabecinha perdida. Só me ajude a sentar nessa pedra aqui.
O velho preparou sua explicação com todas as vírgulas que a mesma merecia.
- Vamos do começo então. O Cristo estava olhando pra mim e eu pra ele. Foi o meu filho Jorginho que me levou para esse passeio. Mas aí? O que aconteceu? O que estamos fazendo aqui? Qual o seu nome?
- Meu nome é José. Eu que acabei de te perguntar o que aconteceu. O senhor disse que ia contar.
- Bonito nome. Bonito nome.
- Você sabe o que houve aqui?
- Bom. Preciso que me chame de senhor. Fica melhor. Na minha época nem existia esse tal de você.
- Que saco! Não sabe de nada, não é?
O velho começou a assoviar como se tudo aquilo fizesse parte do seu pacote de férias. Alongou os braços, esticou e dobrou sequencialmente os punhos. Nem respirou fundo. Enquanto o menino respirava fundo enchendo a boca de desaforos o velho continuava seu ritual. José recuou.
- O senhor poderia contar o que houve aqui?
- Claro, menino. Gostei da sua educação ao me chamar de senhor. Coisa rara.
- Obrigado. Conte, por favor.
- O Cristo estava olhando pra mim e eu pra ele. Jorginho que me levou pra passear. Falando nele, onde está? Você parece muito com meu afilhado. Qual seu nome, menino?
Não era aconselhável irritar-se. José Patrício concluiu que estava perdido sem sequer saber como, onde e ainda acompanhado de um senhor com Alzheimer.

O orgulho carioca nunca tivera sido tão ferido. Nada poderia ser comparável àquilo. Repórteres amontoavam-se pela cidade. Os aeroportos recebiam uma legião da imprensa internacional. Os moradores das redondezas foram obrigados a saírem de suas casas. Muitos foram parar nos hotéis e motéis da Baixada Fluminense. Na zona sul os bairros do Humaitá, Cosme Velho, Laranjeiras e Botafogo foram evacuados. Parte do Rio Comprido e do Estácio também. Os principais portais de notícias estampavam o acontecido na primeira página. O taxista evangélico falava em fim dos tempos. Ativistas organizavam pelas redes sociais um ato público. Alguns falavam em golpe e em volta da ditadura. Um turista mineiro sacramentou para um senhor desavisado: o Cristo Redentor caiu.

quarta-feira, janeiro 15, 2014

Ajustando a timidez

A sala está vazia do segundo andar desse restaurante simples de comida caseira aqui no centro de São Paulo. Entre muitas mesas vazias considero incomum – apesar de ser corriqueiro – os lugares dos cantos ocupados com uma ou duas pessoas por mesa e as mesas centrais vazias. Vale a mesma regra para as mesas próximas a televisores e portas. Mas não vale para mesas em shows. Se bem que os shows são em pouca ou nenhuma luz na plateia.
Considero na pesquisa realizada por mim mesmo às minhas singelas observações que somos – nós, os tímidos – uma vasta maioria em todos os cantos. Temos absoluto problema em sermos o centro das atenções. Subir ao palco então, nem pensar. E falar em público? Só sob a mira de um revólver – e talvez nem assim. Festas de aniversários incomodam na hora do parabéns. É muito mais confortável observar, estar em silêncio, ver de longe, notar ao invés de ser notado. Os tímidos se reconhecem quando cruzam olhares e desviam com velocidade.  Sofrem crises estomacais com apresentações em grupo, com obrigações da escola, do trabalho e do que mais for. Praia é um martírio. O tímido pode ter corpo perfeito que mesmo assim se sentirá altamente incomodado quando vê alguém o observando. Até o simples fato de andar se torna uma guerra de derrotados.
Os tímidos perdem oportunidades. Deixam de viver histórias. E sempre se arrependem quando a oportunidade passa. A timidez é vizinha de porta da depressão. E não sou eu quem está falando isso. São os fatos. Quem pouco fala muito sofre. É bastante razoável querer sair dessa. Mas, como?
Uma vez tímido sempre tímido. Relato aqui o quanto melhorei. Da escola não tenho amigo algum. Eu não era ruim, nem bom. Eu simplesmente não era. Chegava, estudava, saía. Repetidamente à exaustão de todos os anos. Nas festas a mesma coisa. Nas reuniões de família também. No futebol, no bairro, nas festas juninas, na calçada nas férias. Tem gente que nem conhecia minha voz. Daí, entrei na faculdade e resolvi: vou disfarçar. Comecei a brincar, comecei a me defender. O humor foi minha melhor defesa. Chamar a atenção para outra coisa me permitia estar no meio. Eu não precisava mais ir pro canto ou pro fundo. Se bem que eu sou desafiador. Tímido, me meti a liderar coisas. Apresentava trabalhos fazendo graça. Falava ao telefone no trabalho fingindo estar falando com algum conhecido. Um dia mesmo numa apresentação para quase duzentas pessoas pedi para o técnico de iluminação jogar toda a luz no meu rosto. Não via ninguém. Assim, sozinho vendo tudo branco, fiz a mais desenvolta apresentação da minha vida. Alguns nem acreditam que eu seja tímido.

Afirmo que quase todos somos tímidos. Alguns brincam de serem mal-humorados para se defender. Outros dançam para se defender. Outros cantam, outros jogam, outros ficam sérios, outros fazem discursos, outros se fazem de marrentos, outras de sensuais, outros não fazem nada. Há quem ainda não tenha descoberto a própria defesa.  Eu ainda sou tímido. Mas escrevo, trabalho e falo sacanagens para os amigos. Às vezes ser tímido não é eterno. É apenas questão de ajuste. Ser um tímido melhor foi uma das metas. E, confesso, estou sentado na mesa grudado na parede, longe do centro e da televisão.

quinta-feira, janeiro 09, 2014

A Barreira do Oi

Reparei na barreira do OI que impomos aos desconhecidos por aí. Para o zelador mais fechado, para o padeiro do bairro, para o atendente do caixa do banco, para o cobrador do ônibus – os poucos que sobraram -, para o conhecido da academia. Até aí, pela lá, tudo normal apesar da normalidade. Estamos sempre fechados mesmo que sejamos bastante expansivos. O desconhecido é chamado de estranho desde sempre e não pode ser à toa. Não falamos com estranhos e nem aceitamos nada de estranhos. Estranhos, repara? E não desconhecidos.
O OI, neste caso, é para quem não está dentro de nossas vidas ou por enquanto ou num estado eterno. Tem gente que do início ao fim da vida não conhece todo mundo do bairro, mas é amigo do rapaz lá de Manaus, mesmo que virtualmente. O OI de passagem. Conhecemos pessoas de OI e TCHAU. Mais que isso só comentários sobre o calor carioca ou a chuva de ontem.
O pior OI é para quem entrou e saiu. É pior porque você transformou o conhecido em desconhecido, ou estranho. Aquela ex-namorada que você via totalmente pelada, que você sabia cada mania, cada significado de cada risada e cada plano passa por você resumida a um cumprimento. É natural. Não há como haver intimidade eterna justamente porque provavelmente eu vejo outro alguém pelada, sei de cada mania, cada significado de cada risada e cada plano. É uma substituição não exatamente plástica e descartável.
Talvez seja pior com amigos. Não houve desquite, só descaso. Não houve aviso, só afastado. Aquele amigo que dormia na sua casa e confidenciava do seu choro hoje é resumido a um “oi” no cruzamento da escada da saída de uma estação de metrô qualquer. Em um mundo de amigo que adiciona amigo do amigo porque passaram cerca de uma hora dentro de um mesmo restaurante com rodízio e compartilharam risadas em grupo. Da internet se você gritar meia dúzia pode responder. Bem pouco perto dos mais de quinhentos amigos virtuais, literalmente.

Não existe contrato de estabilidade entre quem é mais que um OI que não impeça de viver vários TCHAUS. Todos invisíveis, alguns prematuros e todos completamente reversíveis. Na relação escritor x leitor peço, não abandonem a leitura sem ao menos uma justa causa. Estamos combinados?

sexta-feira, julho 12, 2013

Amar não cansa

AMAR NÃO CANSA
Amar não cansa.
Amar descansa.
Amar ergue.
Amar energiza.
Cansa é não amar.
Não amar não é para alguém.
Porque amar é para todo mundo.
Tipo direito e dever, junto.
Porque amar é coisa até de criança.

Original em:

terça-feira, dezembro 18, 2012

Pra caixinha

São dez reais

Pro caixa do supermercado

São 5 reais
Pra menina da padaria

São oito reais e cinquenta
Pro cabeleireiro

O do café
Pro lixeiro

O do pão
Pro pedreiro

Mais o troco do cinema
Pro moço da pipoca

Daí fui pagar a prestação da casa
Ninguém me deu caixinha.

terça-feira, dezembro 11, 2012

Amigo Oculto

O mais importante de dezembro não é o Natal, nem a virada de ano, nem a chegada do verão dia 21. O mais importante é o verdadeiro destino do décimo terceiro salário: o amigo oculto. Ou amigo secreto, como quiser. O que na verdade não é nada singular. São vários deles, bem no plural mesmo. O da empresa, o da empresa terceirizada, o da família do pai, o da família da mãe, o dos amigos vizinhos, o dos amigos da faculdade, o do curso, o da igreja e até do ônibus porque o engarrafamento é longo e a convivência é coisa séria.


Pra começar, quem inventou a história de ocultar o amigo deve querer na verdade deixar bem visível o inimigo. Ou não entende de presentes. Ou não entende de amigos. Porque, vá lá, experimenta recordar dos seus últimos? É um evento tão arriscado quanto casamento de ex-namorada. Dizem que nasceu com os povos nórdicos. Outros dizem que é um costume de povos pagãos. É uma brincadeira muito séria.

Todos estão - ou deveriam estar - tomados de boas intenções. Trocam papéis com nomes e, em outro dia, trocam presentes dando dicas para que advinhem o presenteado. Deveria ser assim. Mas aí vem você e se dedica a um bom presente por um bom amigo. Você vem com uma boa garrafa de vinho chileno e quando vê não é um amigo lá íntimo que te tirou e te dá uma xícara, uma toalha, uma camisa de gosto duvidoso. Já vi nobres jovens mudando caráter depois de presentes pequenos. Mas o pior nem é isso. O pior é se organizar, trocar horário de ônibus, faltar trabalho, brigar com a esposa, faltar ao futebol da semana para ir ao amigo oculto e a pessoa que deveria te dar presente estar, na verdade, ausente. Aí, amigo, é batata: trauma para vida. Tenho uma amiga que detesta amigos ocultos, outras surpresas e afins. Por três anos seguidos ela comprou mas não levou. No caso, deu presente e teve que se contentar com trocas espontâneas. Dito e feito, ela detesta participar dessas coisas.

Tem amigo oculto estragando amizades. E isso não é legal. Por isso há o jeitinho por trás do jeitinho do jeitinho da brincadeira. Existe aquela piscada marota pra pessoa que distribui os papeizinhos para que não deixe pegar um oculto nada amigo ou nem tão amigo assim.

A regra fundamental é que o segredo, obviamente. Mas é a regra mais iludida. Tem gente que quer trocar de papel. Acordos parelelos são feitos no submundo da amizade. São segredos encobrindo outros segredos que encobrem outros segredos em nome do segredo maior que, no final das contas, nem é mais segredo.

Certa vez ganhei uma camisa de pagodeiro. Nada contra o ritmo. Mas nada a favor do estilo. Aí você não sabe se o presente é pra ser inesquecível (pode reparar que esse eu não esqueci mesmo), se é para fazer piada, se é para ser útil ou se é pra ser somente.

Das duas, uma: ou nem tudo que é escondido é mais gostoso ou estamos fazendo isso errado.

sexta-feira, junho 15, 2012

Não como Scarlet

Não existe mulher como ela. Não como ela. E isso é uma pena. Deveria haver uma em cada bairro. Ou pelo menos de cada nacionalidade. Porque, confessamos heteros e homos, do tipo mulher e do tipo homem, que aqueles peitos são de fazer andar o trânsito. Porque parado já está. Aquela boca carnuda e despretenciosa são para fazer qualquer ateu acreditar em Deus; para fazer qualquer casto virar fumante; qualquer doente voltar a beber. E falo por todos os homens de mal e de bem. Existem mulheres e existem as Scarlets. Vamos resumir então tudo no umbigo de uma mulher: o da Scarlet. Sim. Porque quando elegemos o umbigo pedimos ele aqui, bem perto. Bem junto. Umbigo com umbigo. E como não podemos separar o umbigo do resto por conta da punição severa chamamos assi todo o resto junto. Chamamos mais junto, a Scarlet. E vem ela toda de brinde, com ou sem taças. Ela não daria independência para o umigo só por medo de nós.
Mas em Nova Jersey, ali pelos lados do Jacobsen Park, naquele oito de junho tirei os óculos escuros e não disfarcei. Num lugar onde a praia é pra dentro, onde tudo é meio certinho demais eu vi Scarlet. Passei a desacreditar nos olhos ou a acreditar mais no cinema. No Rio eu vivo bem, minha praia é voltada para o mar e eu comia muito bem. Sabia que aquele cinema de Irajá era o melhor do Rio de Janeiro. Mas não sabia que mentia tão bem.

quinta-feira, maio 24, 2012

"Apaga e tira outra!"


Na revolução da captação de imagens o surgimento das máquinas digitais enterrando a necessidade de revelação de filmes tornou a foto uma coisa irrelevante. Que frase bonita! Desculpe, amigo que sabe ler, é mania de jornalista. Digo que em eventos, finos ou não, velhos e novos tornam-se cada vez mais adeptos ao estilo descartável das fotos. A foto ficou ruim? Apaga essa e tira outra. Simples assim.
Sem devaneios filosóficos. Sem pena da imagem evaporada. O maior problema dessa cultura decaptadora é a sua fuga das imagens. Talvez não seja insenssibilidade. Nem seja também narcisismo. Apesar de fotos e narcisos estarem eternamente casados. O problema é a facilidade. Se tirar foto já foi mais elaborado e valorizado agora, tá mais fácil que música ruim fazendo sucesso. Eis que somos agora capazes de provar um café e aplicar a mesma teoria. Joga fora e tenta outro. Ao comprar um aparelho de DVD e deparar-se com um aparelho de Blu-Ray: descarta e compra o novo. Ao ser ter o celular levado em um assalto - após compreensível acesso de raiva -, apaga e compra outro. Com carros, jogos, empregos e amores todos apagam e arrumam outro. Está tudo muito fácil. Paradoxalmente, não tá fácil pra ninguém.

quinta-feira, maio 17, 2012

Atropelamento


Lia o livro mais recente de um velho amigo. Era bom. Não o meu amigo, que não vem ao caso, mas o livro. Era bom, fazia grudarem os olhos. Era ruim ler e esquecer do que estava do lado de fora. Esse ruim acontecia toda hora. Olhe que nem sou dos mais dispersos. Passava do ponto de ônibus. A carne ao fogo passava do ponto. Levei pontos no queixo depois de cair por ler e andar por calçadas ao mesmo tempo. Não via o tempo onde quer que fosse. Nem que fosse cegueta. Lia ao volante dessa vez. Era a Dutra, altura do Carrefour de Belford Roxo. Desculpem-me os leitores preocupados com a propaganda. Não ligo. Ninguém comprará sabonete no mercado por conta dessa leitura. Compraria por estar em promoção. E não vale a pena. Dutra nesta altura, sentido Rio de Janeiro, para quem conhece, nem vale a pena passar. Muito menos às sete e onze da manhã de quinta-feira. Dia nublado, buzinas agitadinhas demais. Sinfonia educada de todo dia. Baixei o livro e o vidro. Pessoas mandando umas e outras para um lugar com endereço completo, no meio de alguma coisa. Vidro levantado, ar-condicionado regulado. Livro no volante.
Atropelei, fui multado, julgado e condenado. Calma lá. Explico. Depois de uma hora e trinta metros percorridos resolvi entrar em uma das ruas pra fugir. Na segunda esquina já parava congestionado em um sinal vermelho demorado. Peguei o livro novamente. Mania de pisar na embreagem e deixar engatada a primeira marcha. Sinal verde brilhou, pé ficou mais leve inconscientemente. Amigo leitor, esqueça os detalhes. Dei partida e atropelei alguém. Fiz tudo certinho. Era uma mulher. Uma praga foi jogada. Fui condenado a correr atrás da vítima. Sou o sujeito mais estranho que atropelou uma mulher e com ela ali deitada e dolorida senti tesão enorme. Uma perversão quase criminosa. Atropelamento é crime. Erotismo em hora errada é prisão perpétua? Confere a legislação porque eu me fudi em pontos na carteira, notas a menos no bolso e culpa dupla. A perversão, sensação maior, era quase dolosa. Era culposa. Afinal, aposto meus dentes que ela também sentiria alguma coisa também. Estava já caída por mim. Estava já nos meus pés.

terça-feira, março 27, 2012

O Cara Que Não Publicava Livros

Este título acima é o que dá nome ao meu primeiro livro. Sonho realizado. Para quem me acompanha e gosta do que escrevo, compre essa primeira amostra. E que a carreira siga!


O processo é totalmente seguro. A impressão é feita por demanda. Comprou, imprimem e entregam. Sem sobras. A natureza agradece. E eu também. E então, conto com vocês?

segunda-feira, janeiro 30, 2012

É bamba e samba

É mãe e puta. É covarde e luta. É burro e leciona. É mulher e não dá. É virgem e sexóloga. É tubarão e truta. Nem surda nem muda. É errado e nem muda.
É contradição e coerência. É ausência e co-presença. É subsídio em esmola. É macho e preconceituoso mas vê beleza com bola. É palhaço sem nariz. É filial sem matriz. É perigoso e poddle. É articulado e twitteiro. É informado e não vê TV. É oculista e não vê. E não ê.
É rato e limpeza. É campeão de xadrez e lerdeza. É anarquia e obediência. É governabilidade e competência. É escroto e delicadeza. É samba e ditorção. É poema e lição. É poesia e lixão.
É cria e criador. É tímido e ator. É relutância e complô. É oval e corredor. É pilantra e sofredor. É aquarela em cor. É bamba. É samba. É caminhão de cerveja. É do bolo a cereja. Não é tão bamba quanto eu mas é samba e eu te respeito. É porra e nenhuma. É tudo mentira, é o amor. É o amor!

sábado, janeiro 21, 2012

Sem você eu não vivo, diz a música

Sem você eu não vivo, diz a música. Nem com você eu tenho vivido. Esse conceito de vida é muito estranho mesmo. Vê a graça que é viver sem ninguém. Tem? Nem tem. E com alguém? Depende. Só se for pra fazer muitas coisas, tipo fazer neném. Mas aí, amigo, é dádiva ou castigo. E é pra toda vida. E como viver? Aí vai querer mesmo viver sem ela. É um conflito. E a música perde todo o sentido. Ou faz uma música nova dizendo que "Sem você eu vivo sim". Ou não vive. Para de ouvir pagode ruim, ouvido poluído.